As várias mortes registradas na lagoa da Quinta da Bela Olinda mobilizaram o Ministério Público (MP). Por ofício, o órgão cobrou da administração municipal medidas de segurança para o local. Há quem diga que, desde o final da década de 70, suas águas já tiraram a vida de aproximadamente 90 pessoas.
A última vítima foi um rapaz de 19 anos. Ao atravessar a lagoa, ele morreu afogado em meados de dezembro do ano passado. Para evitar novas tragédias, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) iniciou um estudo do local, informa o titular da pasta, Rodrigo Agostinho. A idéia é fazer um diagnóstico da área para depois discutir seu futuro.
O objetivo é definir uma forma de manter a lagoa com segurança, além da área de lazer. “O estudo deve levar uns dois meses”, comenta Agostinho, que apontou três alternativas iniciais. A mais radical seria o esvaziamento da lagoa, situada numa área pública verde.
Apesar das placas de advertência informando sobre os riscos, nos finais de semana a lagoa ganha ares de Litoral. “Parece praia. Tem gente com jet ski e bóia. O ideal é cercar, colocar iluminação e guarda”, diz o presidente da Associação de Moradores da Quinta da Bela Olinda, Fernando Marques. A prefeitura, no entanto, não dispõe de quadro de funcionários suficiente para manter um vigia no local.
“Mas alguma providência já deveria ter sido tomada. Morreu muita gente. A população quer aquela área de lazer”, acrescenta Selma de Fátima Celestino, presidente da Associação de Moradores do Núcleo Habitacional Mary Dota.
Para atender a reivindicação, o estudo a ser providenciado pela Semma prevê, por exemplo, a medição da profundidade do lago. “Deve ter muita coisa esquisita lá dentro. Carro depenado e até gente. Tem quem use drogas lá à noite. São ocorrências que nem ficamos sabendo”, comenta Marques.
Para amenizar o problema, aproximadamente uma vez por mês, servidores do município fazem limpeza nas imediações. Em virtude do lixo jogado e da água que escorre do quintal das casas nas imediações, análises anteriores já demonstraram que a lagoa não é própria para banho, em virtude da grande quantidade de coliformes fecais, acrescenta o secretário.
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História
Com aproximadamente 60 mil metros quadrados de área, a lagoa da Quinta da Bela Olinda está situada numa área pública verde. Seu entorno, com cerca de 20 mil metros quadrados, deveria acolher uma praça ou um parque, conforme previsto no Plano Diretor.
Segundo a reportagem apurou, a água passou a ser represada no final da década de 70.
Utilizada na construção das casas do Núcleo Mary Dota, a água ocupou uma erosão existente no local, que também dispõe de minas d’água. Na década de 90, cogitou-se transformar a região em um parque.