Coincidência ou não, ontem, dia em que Bauru registrou o mais baixo índice de umidade relativa do ar deste ano, 16,7% e pico de temperatura de 33 graus, a sala de espera do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) estava lotada. Eram 19h30 quando uma mãe começou a dar entrevista. Renata Costa, dona de casa, estava com quatro crianças à espera de atendimento desde as 14h30.
Costa contou que a filha de 5 anos está com alergia e que apenas a febre da criança fora medida nas cinco horas de espera pelo atendimento. “Os atendentes da tarde foram mal-educados e apenas a pré-consulta foi feita. Estou aqui sem almoço, as crianças estão cansadas e com fome e ninguém quer mais saber”, desabafa Costa.
Outros pais reclamavam da longa espera. Ruth Rezende, dona de casa, estava aguardando atendimento desde as 16h. A filha, Karen, está com ancilostomose, o popular amarelão, doença causada por um verme que ataca o intestino. “Só tem dois médicos para atender, eles só mediram a febre” afirma Rezende.
Leila Cristina Mendes, doméstica, chegou ao pronto-socorro por volta das 17h. A filha estava com uma possível fratura no braço esquerdo e ainda não havia sido atendida. “Ela está com muita dor e ninguém ajuda”, desabafa Mendes.
“Isso é um absurdo, nós somos pobres, mas pagamos nossos impostos. Não é justo ser tratado assim (reclamando do atendimento prestado). Se elas (se referindo às outras entrevistadas) que chegaram antes de mim ainda não foram atendidas, que horas vou poder ir pra casa? Vou ter que dormir num banco para pegar o ônibus amanhã pela manhã?”, questiona. A doméstica mora no bairro Santa Terezinha.
A enfermeira-chefe do PAI e atendentes não responderam aos questionamentos da reportagem sobre a superlotação, alegando falta de autoridade para dar informações. O JC procurou pelo diretor, mas não conseguiu localizá-lo.