Cultura

Mulheres do tecido e do som

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma é pop e compra tecidos novos para bordar suas preferências em pedrarias. A outra, underground, recicla roupas pintando atitude com as mãos livres de moldes. Elas são: Damaris Ribeiro, fã confessa do vocalista do Engenheiros do Hawaii, e Amanda Rocha, vocalista da banda de punk rock Bonequinho. Superadas as diferenças, as duas juntaram as tralhas para compor a mostra “Elas Pintam e Bordam”, com abertura amanhã à noite durante o show “Nós Mulheres”, no Templo Bar.

Trabalhar juntas, unindo bordados e tintas, ainda é um projeto. Enquanto isso, as peças são confeccionadas separadamente pelas grifes artesanais Sempre HG e Extinção 8-17, nomes que fazem referência direta às mulheres do projeto, Damaris e Amanda, respectivamente.

HG foi pensado logo em 1999, quando Damaris criou a marca em homenagem ao ídolo, Humberto Gessinger. Depois de sete anos, a sigla continua, mas o sentido não é mais o mesmo. “HG é a abreviação de ‘Na Hora H no Ponto G’”, explica. Já Extinção 8-17 é nome e endereço do empório cultural de Amanda e Aran, guitarrista da Bonequinho.

O que as levou a confeccionar as próprias roupas foi a mesma vontade de vestir camisetas não encontradas em lojas. A primeira produção de Damaris levava um Freud com roupa de Fred Flintstone, em alusão à música “Freud Flintstone” de autoria do grupo gaúcho.

Também foi uma banda que encheu de tinta as mãos de Amanda, em 2003. “Comecei a pintar as camisetas da Bonequinho, para o pessoal que curtia o som. E como estava com a loja montada, comecei a fazer roupas de bandas alternativas e também comerciais”, lembra.

Mas, além de música, as duas mulheres bordam ou pintam conceitos. Em uma das camisetas de Amanda, “Eu odeio os Beatles” vem logo abaixo da imagem dos quatro britânicos pintada com tinta de tecido – sem moldes - portando auréolas e chifres. Já Damaris celebra os homossexuais, com lantejoulas bordando a frase “Eu amo gays”.

As influências das duas mulheres são como óleo e água, não se misturam. Damaris borda ícones e frases inspirada no estilista Ronaldo Fraga. “Gosto de suas coisas mimosas, da mistura de cores”, explica. Amanda suga de outra fonte. “Gosto do estilo punk, do visual retrô. Também tenho muitas influências da pop art”, diz.

• Serviço

Exposição “Elas Pintam e Bordam” amanhã, às 21h, no Templo Bar (rua Benjamin Constant, 1-34). A entrada é gratuita. Mais informações: (14) 3223-3493.

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Data comercial

Com a primeira exposição marcada para amanhã, durante o show “Nós Mulheres”, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Damaris Ribeiro e Amanda Rocha são categóricas ao afirmar: a data, celebrada amanhã, é comercial, mas válida. “É uma data equivocada porque hoje fugiu da celebração em si, mas é importante porque a mulher foi muito escaldada durante muito tempo”, coloca Amanda.

Carregando a bandeira da não-diferença, as duas acreditam que atualmente a sociedade não se caracteriza mais pelo sexo. “Eu acho que homem e mulher já estão pau a pau. Hoje tudo é igual”, defende Amanda. Mas, excepcionalmente para a mostra “Elas Pintam e Bordam”, cada uma vai levar dez peças feitas especialmente para mulheres. “Como é um evento musical e voltado a mulheres, vamos levar roupas femininas, mas produzimos para todos os sexos”, afirma Damaris.

As peças das artesãs foram confeccionadas com apoio de Jalovi e Armarinho 25 e são encontradas na Empório Cultural Extinção, localizada na rua Cussy Júnior, 8-17. Informações pelo telefone: (14) 3018-1733.

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