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Óleo de cozinha deve ser reutilizado para não poluir

Por Lígia Ligabue | Com Agência Brasil
| Tempo de leitura: 2 min

Presente nas cozinhas de todos bauruenses, o óleo vegetal contribui para a poluição de águas e até para o aquecimento global. Para evitar contaminação de solo, rios, mananciais e da atmosfera, os resíduos da gordura devem ser reutilizados. Além de servir de ingrediente para sabão caseiro, o óleo pode ser acondicionado em vidros ou garrafas plásticas e, depois de filtrado, reutilizado para a fabricação de ração animal e para amaciar couro. Em Bauru, uma empresa especializada recolhe cerca de 40 mil litros de óleo usado por mês e impede que o produto contamine o ambiente.

O professor Alexandre D’Avignon, do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, explica que a decomposição do óleo de cozinha emite metano na atmosfera. O metano é um dos principais gases que causam o efeito estufa, que contribui para o aquecimento da Terra.

Segundo ele, o óleo de cozinha que muitas vezes vai para o ralo pia acaba chegando no oceano pelas redes de esgoto. Em contato com a água do mar, esse resíduo líquido passa por reações químicas que resultam em emissão de metano. “Você acaba tendo a decomposição e a geração de metano, através de uma ação anaeróbica (sem ar) de bactérias”.

De acordo uma empresa bauruense especializada na coleta e filtragem de óleo vegetal, um litro de óleo pode contaminar até um milhão de litros de água. Há quatro anos, a empresa recolhe sobras de óleo vegetal na cidade e região. Atualmente a empresa conta com duas caminhonetes e sete funcionários para o serviço. Só uma rede de lojas de fast food produz mil litros de óleo por semana. A expectativa da empresa é aumentar a coleta para 100 mil litros de óleo por mês em seis meses.

Além de restaurantes e lanchonetes, a empresa também atende condomínios. Em um residencial da Vila Cardia, os moradores se queixavam com freqüência de entupimentos na rede. Segundo a empresa, assim que os condôminos passaram a armazenar o óleo que utilizavam, ao invés de dispensá-lo pelo ralo, o problema desapareceu. “Se você jogar óleo vegetal em um gramado, não nasce grama no local por vários anos”, informa.

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Preocupação ambiental

O Instituto Ambiental Vidágua informa que a procura de informações sobre a forma mais correta de descartar óleo de cozinha aumentou nos últimos dois anos, De acordo com a bióloga Fernanda Ribeiro de Franco, o descarte de óleo é preocupante, principalmente em prédios, onde o produto causa entupimentos das tubulações, além dos danos ambientais. O instituto apóia a iniciativa da empresa que recolhe o produto em Bauru.

“Nós sugerimos que as pessoas não joguem fora o óleo já utilizado. Se você despeja o óleo na terra, ele pode contaminar o solo, se você jogar na água, também. Procure uma alternativa, dê a sugestão de sua associação de bairros manter um posto de coleta”, propõe.

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