Pesca & Lazer

História de pescador: “Cuspidinha”


| Tempo de leitura: 2 min

Em Avaí, na década de 70, era comum a pescaria na “Barra”, nome dado ao local de desembocadura do córrego Jacutinga no rio Batalha. No local era comum encontrar os velhos pescadores de Avaí, como: Nenê Balaio, Carlito, Venâncio Soldado, Zeca Venâncio, Mouco, Orlando Surdo, entre outros. Deste último que eu queria falar. Orlando Surdo, que na verdade chamava-se Orlando Gratieri e tinha esse apelido pela sua deficiência auditiva.

Ele era um exímio pescador, prova disso que ele vivia da pesca, pois era comum à noitinha ele ir vender seus peixes nos bares da cidade, sempre com o seu samburá lotado e não rara vez sempre tinha um peixe grande dentre os lambaris. Ele tinha uma voz rouca, calma e pausada, quando contava a todos, a pescaria do dia e também do peixe “bitela” que escapou, deixando os ouvintes admirados pela narrativa.

Um dia na Barra, estava eu pescando quando chegou o Orlando, que se sentou ao meu lado já começando a pesca. Era um peixe atrás do outro, enquanto em minha isca nada beliscava. Foi quando comecei a prestar atenção na isca e na tráia que ele estava usando: as mesmas que as minhas. Então, qual era o segredo? Observando mais atentamente notei que toda a vez que o Orlando iscava o anzol ele dava uma “cuspidinha” na isca, descobri então o seu segredo! Comecei a imitá-lo e consegui pescar um lambari atrás do outro.

Depois fiquei pensando o que o “cuspe” ou a “saliva” tinham em relação aos peixes, o que só fui descobrir tempos depois, quando li um artigo na revista “Seleções”. A saliva contém uma substância chamada albumina, que, segundo os especialistas, atrai os peixes. Para o amigo pescador que não estiver acreditando, é só fazer um teste. “Cuspe” todo mundo tem e é de graça. Assim sendo, boa pescaria e vamos encher o samburá!

Sérgio Andrade Moreira é pescador e contador de histórias.

Comentários

Comentários