A decisão de Caio Coube em renunciar à presidência do PSDB e candidatura a prefeito gerou surpresa entre as principais lideranças do partido em Bauru. O advogado Gilson Rodrigues de Lima, que assumiu interinamente a presidência da legenda e deverá permanecer no cargo até que o diretório municipal eleja outro líder do partido, já irá presidir a reunião dos tucanos prevista para ocorrer no próximo sábado. Ele era um dos mais surpresos com a iniciativa do empresário.
“Nos surpreendeu, pois fomos para a reunião da executiva normalmente para preparar a do diretório que será realizada no sábado. Eu já estava até de saída da reunião quando ele pediu para aguardar um pouco e fez o anúncio. Foi algo que ninguém esperava, pois ele disse que não havia comentado da decisão com ninguém, nem com o deputado estadual Pedro Tobias, e que naquela oportunidade éramos os primeiros a ficar sabendo”, ressaltou Lima. E acrescentou:
“Mas é uma decisão que tem de ser entendida por todos, pois é um direito dele. Apesar disso, ele continuará sendo uma das lideranças mais importantes não só do partido, mas também da cidade, e cobiçado, pois muitos vão querer que ele mude de partido e vá para outra legenda.”
Lima revelou, ainda, detalhes da carta-renúncia de Coube entregue ao partido. “No documento ele agradeceu o apoio dispensado pelos integrantes da executiva e do diretório e considerou que nos três anos e meio à frente da presidência procurou honrar e dignificar o partido divulgando as contribuições da legenda para o desenvolvimento social do País. Além disso, enfatizou que o partido manteve um trabalho inabalável e compromissado com a ética, eficiência e gestão”, contou.
O vereador Marcelo Borges (PSDB), cotado como um dos pré-candidatos do partido para disputar as eleições para a prefeitura, avaliou que a decisão de Coube não significa que ele esteja se distanciando do partido. “Ele ainda tem muito a colaborar com o partido, sendo candidato ou não, contribuindo com sua experiência e idéias. Trata-se de um grande nome que sempre honrou o partido nas batalhas e ele ainda é um grande nome para ser o candidato do partido”, enfatizou.
Borges também comentou se o fato do afastamento de Coube poderia facilitar o caminho para viabilizar sua pré-candidatura a prefeito. O parlamentar destacou que a decisão sobre a candidatura cabe ao partido. “Ela não é individual, e sim coletiva do partido que analisa, entre outros pontos, potencialidade e condições de votos. E o Caio é uma pessoa que tem todas as condições para ser nosso candidato a prefeito, pois seu afastamento não significa que, futuramente, ele não possa ser o candidato do partido”, salientou.
Já o vereador Antonio Carlos Garmes, outro nome cogitado nas rodas tucanas como pré-candidato a prefeito, frisou ser preciso respeitar a vontade do empresário. “Se ele está abdicando da presidência do partido e informando que não é mais candidato a nada porque vai cuidar de seus negócios particulares, certamente é uma decisão reflexiva de sua parte e só temos de acatar sua vontade. Não há o que se criticar. Vejo como uma decisão natural e normal, pois cada um tem seus problemas e sabe como deve fazer para resolvê-los”, argumentou. E completou:
“Minha pré-candidatura não tem relação com a do Marcelo Borges e até a do Caio. São coisas distintas e é preciso aguardar as convenções do partido, pois só lá é que as definições ocorrerão.”
O deputado estadual Pedro Tobias preferiu não comentar o assunto.