Política

Após 20 dias, novo chefe de Gabinete ainda é incógnita

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Bauru Paulo Canalli deixou o cargo no dia 16 de fevereiro. Na ocasião, ele afirmou que encerrou um ciclo dentro da administração. Passados 20 dias, no entanto, o prefeito Tuga Angerami (sem partido) ainda não definiu quem será o novo chefe de Gabinete.

A falta de alguém com perfil de articulador entre Prefeitura, Câmara Municipal e órgãos da administração pública, deixa uma lacuna que se não for preenchida pode isolar ainda mais o prefeito, que vê seus aliados debandando a cada dia, mas ao que tudo indica Angerami não está encontrando alguém que atenda os requisitos indispensáveis para ocupar o cargo.

O nome do diretor da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae) José Carlos Augusto Fernandes chegou a circular nos bastidores, mas o prefeito nega que tenha conversado com Fernandes a respeito do assunto.

De acordo com Angerami, as tarefas que eram desempenhadas por Paulo Canalli estão divididas entre os assessores técnicos Antonio Carlos Catharin, Célio Bucceroni e Sérgio Baracat. “Eu mesmo tenho assumido partes destas funções que são atribuições do chefe de Gabinete. Assim que houver uma definição em relação à pessoa que assumirá o cargo definitivamente, nós anunciaremos o seu nome”, disse.

Para quem assiste a tudo do lado de fora, a falta de um chefe de Gabinete pode atrapalhar o governo municipal. Por enquanto, o assessor técnico Antônio Carlos Catharin consta como o chefe de Gabinete temporário, apesar de Angerami ter citado outros dois assessores na divisão das tarefas.

Catharin não tem sua competência contestada, mas não teria o perfil ideal para ocupar o cargo. “O cargo de chefe de Gabinete é político. Não discutimos a competência do Catharin, mas o grande problema da falta de um chefe de Gabinete, é a falta de articulação política”, frisou o vereador João Parreira (PSDB).

A julgar pela declaração de Parreira, o grande problema em manter um servidor essencialmente técnico ocupando a chefia de Gabinete é a falta de articulação política. Durante os dois anos que se manteve no cargo, Canalli foi praticamente o ‘pára-raios’ da administração, cuidando dos assuntos espinhosos para que o prefeito Tuga Angerami não ficasse exposto. Muitas vezes a atuação de Canalli mereceu críticas, mas até os vereadores de oposição concordam que sem um político no cargo, dificilmente o prefeito vai conseguir se articular.

Para o vereador José Carlos Batata (PT), a falta de definição sobre quem será o chefe de Gabinete deixa a administração órfã politicamente. Ele também bate na tecla da articulação, ou melhor, da falta dela. “O chefe de Gabinete tem que ser o articulador político do prefeito, discutir com as lideranças na Câmara o que é de interesse da Prefeitura”, salientou.

Perfil

Tanto Parreira quanto Batata concordam que a indefinição de Tuga se deve ao fato de não haver um nome que se encaixe no perfil e no salário da administração.

Para Parreira, o fato de Canalli ter saído por conta do desgaste sofrido ao longo de dois anos acaba afastando pessoas que poderiam ocupar o cargo. “Precisa ser alguém com perfil para fazer o jogo político e suportar a pressão, que é natural no cargo”, afirma o tucano.

Já Batata ressaltou o fato de o governo Tuaga Angerami ter se desgastado muito com a atuação do ex-chefe de Gabinete, por isso o cargo causa temor nos aliados do prefeito. “Enquanto isso, ele (Tuga) tem que acumular as funções, e esse não é o perfil do prefeito”, disse.

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