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Pesquisador da Unesp descobre droga contra o veneno de cobras

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das mais revolucionárias descobertas no tratamento contra picadas de cobra foi desenvolvida por um pesquisador que morou em Bauru. Depois do soro antiofídico, a descoberta de Mário Tyago Murakami é uma das mais revolucionárias da área. A substância, que ainda não possui nome, evita a necrose que o veneno de cobras causa na pele após a picada.

Murakami, que terminou o ensino médio em Bauru, agora cursa o pós-doutorado em biocristalografia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José do Rio Preto. Além da descoberta, Murakami ganhou recentemente a 10.ª edição do prêmio Jovens Talentos em Ciência da Vida, que abrange toda a América Latina e é promovida pela Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq).

Muito orgulhosa, a mãe do pesquisador, Maria de Fátima Oliveira, conta que o filho de 25 anos é o brasileiro mais jovem a conseguir a titulação de doutor. “E olha que ele não gostava de estudar”, revela. “Mas sempre foi muito dedicado. Tanto que conseguiu bolsa de estudos para cursar o ensino médio aqui em Bauru”, conta. A família, que é natural de Taquarituba, há 10 anos reside em Bauru.

O trabalho de pesquisa de Murakami foi orientado pelo coordenador do Grupo de Cristalografia de Macromoléculas da Unesp, o físico Raghuvir Krishnaswamy Arni. Modesto, Murakami ressalta o trabalho da equipe de pesquisadores. “Foi uma série de artigos publicados e degraus alcançados. Cada um deu um passo para que essa descoberta fosse possível”, afirma. A substância descoberta é um derivado da molécula polietilenoglicol. “Ela é bastante estável e apresenta baixos efeitos colaterais. Enquanto o soro antiofídico atua no organismo, ela age evitando a necrose causada pela picada”, descreve o pesquisador.

Segundo Murakami, uma das espécies que causa o pior tipo dessa lesão é a jararaca, responsável por mais de 30 mil ataques por ano no Brasil. Na região de Bauru, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) informa que em 2006 20 pessoas foram picadas por cobras, principalmente nas áreas rurais, sem mortes. Neste ano, até ontem as serpentes fizeram apenas uma vítima.

A descoberta ainda possui um longo caminho de testes até chegar às prateleiras da farmácias. As primeiras cobaias foram ratos e coelhos. Atualmente, o grupo se prepara para iniciar os testes em cavalos. “O grupo trabalha há 15 anos com essa linha de pesquisa. Eu estou há sete anos na equipe. Ainda estamos desenvolvendo estudos em outras substâncias, como as que atuam na coagulação sangüínea, para serem aplicadas no tratamento de tromboses”, revela Murakami.

De acordo com o pós-doutorando, o grupo está pesquisando substâncias encontradas em vermes hematófagos, como o causador do amarelão, que evitam a coagulação sangüínea. “Mesmo em coisas bem ruins, como veneno de serpentes, se você isolar um componente, pode encontrar algo que tenha aplicação farmacológica”, observa.

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