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Militantes do PSOL queimam boneco de Bush no Congresso

Folhapress
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Brasília - Militantes do PSOL, acompanhados de parlamentares que integram o partido, queimaram ontem em frente ao Congresso Nacional um boneco do presidente dos EUA, George W. Bush, em protesto contra a visita do americano ao Brasil. O americano chega a São Paulo hoje, onde se reúne com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanhã.

A presidente do PSOL, Heloísa Helena (AL), acompanhou a manifestação em seu rápido retorno ao Congresso Nacional depois que deixou o Senado no ano passado. “Qualquer pessoa de bom senso sabe que a visita do Bush é uma fraude política. Não adianta dizer que está se discutindo etanol. É desolador que o presidente Lula faça essa fraude política para elevar a popularidade do senhor da guerra”, protestou.

Os manifestantes foram barrados por seguranças para realizar o ato na rampa do Congresso Nacional. Um dos policiais militares escalados para acompanhar o protesto disse que o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), não autorizou a “queima de Bush” na rampa da Casa Legislativa.

Na manhã de ontem, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara rejeitou moção apresentada pela deputada Luciana Genro (PSOL-RS) para declarar Bush “persona non grata” no Brasil. “Eu já imaginava que isso ia acontecer. Mas foi importante para pautar o debate. Os deputados do PT que se mostravam defensores da soberania nacional tiveram que mostrar a sua cara e votar a favor do Bush”, disse a deputada.

Segundo Heloísa Helena, o PSOL vai mobilizar hoje e amanhã militantes do partido em todo o País para protestar contra a visita de Bush. “Na semana da mulher, temos que protestar com veemência. O Bush é presidente de um país que incentiva a guerra que faz tantas mulheres como vítimas.”

Um protesto contra Bush está programado para a tarde de hoje, quando Bush chega ao Brasil, e deverá reunir cerca de 10 mil pessoas no vão livre do Masp. Os eventos que mais preocupam a polícia, porém, são aqueles nos entornos do hotel e de locais que Bush visitará. Somente nas proximidades do hotel em que o americano estará hospedado são esperadas cerca de 3 mil pessoas.

As polícias Civil, Militar e Federal, além do Exército, participarão da segurança e policiamento durante a visita do presidente norte-americano ao Brasil. Para a segurança da primeira-dama dos EUA, Laura Bush, também serão alocados homens da 1.ª Delegacia de Proteção de Dignitários da Deatur. A equipe ficará responsável pela checagem de todo o credenciamento, além de cuidar da segurança a primeira-dama.

Bush chegará a São Paulo na tarde de hoje com 300 policiais. O trajeto do aeroporto internacional de Guarulhos (Grande São Paulo) até o hotel deve ser feito de carro porque Bush só usa o seu helicóptero. O trânsito nas ruas e avenidas onde a comitiva presidencial for passar deverá ser interditado, assim como já é feito com o presidente Lula. A previsão é que a interdição prejudique ainda mais o tráfego na Capital paulista.

Compromisso com ‘pobres’

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, afirmou ontem esperar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantenha o compromisso com os “pobres” que o elegeram e que não assine nenhum tratado de exportação do álcool produzido por usineiros.

O movimento defende que o governo tenha projetos para a agricultura familiar e realize a reforma agrária. De acordo com dados do MST, hoje, existem mais de 6 milhões de hectares de plantação de cana e, com possibilidade de exportação do álcool, a previsão é que passe para 22 milhões de hectares.

Segundo Stedile, a produção da cana gera um emprego a cada 100 hectares de terra. Já a agricultura familiar - de produtos diversificados - emprega 35 pessoas a cada 100 hectares. Por isso, para o coordenador nacional do MST, a monocultura da cana traria prejuízos ao meio ambiente e desemprego no campo. Esse é uma das questões que o movimento pretende expor durante o protesto que será realizado hoje contra a visita ao Brasil do presidente americano George W. Bush. “Esse é o modelo que não podemos admitir (monocultura). Não descansaremos enquanto não derrotar essa proposta”, disse Stedile.

A manifestação de hoje ocorre a partir das 15h, na praça Oswaldo Cruz, e seguirá pela avenida Paulista em direção ao Masp, onde os protestantes farão um ato contra a tentativa do governo Bush de firmar acordo com o Brasil para a produção do álcool.

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