1948, nasce o Estado de Israel. Nos próximos cinco anos, 450.000 palestinos serão expulsos de suas casas, a resistência Palestina á ocupação será perseguida, seus líderes serão executados sumariamente e quando não localizados terão seus parentes mortos pela milícia sionista Unidade 101, criada pelo então general Moshe Dayan, que entrega seu comando a um leal militar sionista, Ariel Sharon, conhecido por sua meticulosa frieza na execução de suas tarefas.
A então recém-criada Organização das Nações Unidas coloca em votação a criação do Estado da Palestina. Dos 190 membros, apenas EUA, Síria e Ilhas Marshal votam contra, o apelo mundial pelo fim da invasão nos territórios palestinos tem um contra ponto muito forte: o Holocausto Judeu. Defender uma pequena nação, que representava o futuro do pacifismo e do antinazismo, era o argumento-mestre frente ao descontentamento das "populosas, intolerantes e retrogradas nações árabes". Os Kibutz (aldeias comunitárias) são criados, dando um tom de um novo socialismo sionista, propagando pelo mundo a integração entre árabes e judeus. No entanto, a realidade subterrânea que valia para os árabes por todo o país foi o massacre e a expulsão de milhares de palestinos; a cada aldeia tomada um assentamento judeu era erguido, protegido fortemente por soldados e tanques, as colônias de judeus se multiplicaram por toda Faixa de Gaza e Cisjordânia, forçando o deslocamento em massa de milhares de palestinos a viverem como refugiados dentro de seu próprio território, causando assim na pequena Faixa de Gaza a maior densidade demográfica do mundo, 1.200.000 habitantes.
As guerras do Sinai, Dos Seis Dias e Yom Kipur acentuam ainda mais a ocupação israelense, o Estado fundamenta as bases de suas instituições no militarismo, a segregação na sociedade israelita ganha no sionismo a força necessária para conclamar os judeus do mundo inteiro a se estabelecerem na Palestina, porém, o novo Estado tem um desafio pela frente: como estabelecer um estado exclusivamente para os judeus num território infestado de árabes das mais diferentes crenças numa proporção demográfica de 5 árabes para 1 judeu? Era preciso acelerar não só a ocupação, mas acelerar as campanhas militares com o objetivo único de diminuir esta desproporção populacional. Os alvos já não são mais a resistência, mas diretamente o bombardeio aéreo diário de casas de civis, ceifando a vida de milhares de palestinos, justificando em cada ato de extermínio alguma ação do “terrorismo” palestino. A determinação do governo de Israel em levar a cabo o Eretz Israel Shleima (Terra de Israel Completa), que vai da costa do Mediterrâneo até a fronteira com o Iraque, adquiri procedimentos militares singulares, porém corriqueiros do nazismo na Alemanha. Barreiras militares são instaladas por toda palestina, intercaladas entre 5 a 10 km de distancia, campos de refugiados são construídos e logo são lotados de árabes e palestinos que ficam à própria sorte a morrer de difteria, cólera ou mesmo de fome, quando não por alguma bomba lançada por um avião israelense. Aos que estão do lado de fora é imposto o toque de recolher, que desobedecido tem como pena o fuzilamento, nas barreiras só é permitido o tráfego de pessoas que possuem cartões; o verde significa que é um árabe em situação regular, o amarelo para o deficiente físico ou homossexual, o vermelho para os que estão sob suspeita do estado de Israel. Ainda se não bastasse isso, as escolas se tornam Qgs militares da noite para o dia, a cada dez crianças seis são alvejadas com tiros nos olhos para não arremessarem pedras contra os tanques de Israel. A mídia cobre com exatidão o massacre do povo iraquiano pela invasão norte-americana.
E o genocídio continua na palestina.
O autor, Alex Gasparini, é vereador, presidente do PMDB de Bauru, coordenador regional da Fundação Ulysses Guimarães e membro da Federação Mundial das Juventudes Democráticas