O Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru pode ser a primeira unidade prisional do Interior e a segunda do Estado de São Paulo a ser tombada pelo seu valor histórico e arquitetônico. Construído em 1942 para abrigar uma escola agrícola, o prédio foi indicado pela Câmara Municipal para ser tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Município (Condepac). A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informa que o único presídio tombado é o da antiga Penitenciária do Estado, atual Penitenciária Feminina Sant’Ana, localizada no bairro Carandiru, na Capital. Ela foi preservada por fazer parte das obras do arquiteto Ramos de Azevedo.
Ontem à tarde, uma equipe de membros do Condepac fez uma visita ao IPA e conversou com o diretor geral do presídio, Evandro Bueno Campanhã. O encontro seguiu com um tour pelo imóvel que abriga a administração do presídio e pelo casarão que servia de moradia para os diretores da então Escola Prática de Agricultura “Professor Gustavo Capanema”, nas décadas de 40 e 50.
Participaram do encontro o presidente do Condepac, Henrique Perazzi de Aquino, além dos conselheiros Mônica Burgo, Albino Pereira, Amilton e Márcia Regina Sobreira. O grupo foi guiado por Helton Pini, diretor interdisciplinar do IPA e Silvio Padim, diretor administrativo da unidade.
O Condepac vai analisar quais construções que fazem parte do complexo do IPA deverão ser tombadas. O arco de entrada do instituto, o prédio da administração e antiga casa dos diretores do colégio são algumas das possibilidades. Os prédios que fazem parte da carceragem não devem ser incluídos no processo, por conta das necessidades de remanejamento de reeducandos e para atualizações de segurança.
No início da visita, Pereira - engenheiro que representa a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) no Condepac -, fez uma raspagem das camadas de tinta da fachada do prédio da administração para verificar qual a cor original do prédio. Preliminarmente, verificou-se que a fachada era pintada com cal branca.
Na administração, funcionavam originalmente as salas de aula da escola. Muitas das salas utilizadas atualmente pelos funcionários administrativos ainda possuem as lousas usadas na época. Nos três prédios da carceragem, funcionavam os alojamentos dos alunos da escola agrícola. Nas partes superiores ficavam as camas e nas alas inferiores, salas de aula e outras atividades. Hoje, a estrutura é praticamente a mesma. Os reeducandos são alojados em cima e no térreo funcionam salas de aula, a diretoria de educação do IPA e são desenvolvidos outros projetos.
Detalhes
Uma ala que chamou bastante a atenção do grupo foi o auditório localizado no prédio da administração. Além do palco para peças teatrais, funcionava um cinema no local. Atualmente ele é usado pelo grupo teatral “Enquanto ela não vem”, formado por reeducandos e dirigido por Vânia Fonseca. O antigo projetor cinematográfico está guardado no casarão dos diretores.
Essa construção, que servia de residência para os diretores do colégio e que no início do IPA, em 1955, também foi moradia de alguns dirigentes do presídio, hoje é utilizada como refeitório dos funcionários. Em cada cômodo, detalhes chamaram a atenção dos conselheiros, como uma porta de correr embutida na parede com vidros trabalhados e desenhos representando os afazeres rurais, além de janelas e armários de madeira nobre.
De acordo com Aquino, o prédio do IPA merece ser tombado. “Pelo seu valor histórico pela arquitetura. Pretendemos começar o processo, reunindo documentação, fotos e plantas das construções”, explica. A indicação para o tombamento do IPA foi feita no final do ano passado, pela vereadora Majô Jandreice (PCdoB). Além do instituto, ela listou a fachada externa do antigo CAT/Sementeira, hoje o PoupaTempo; a casa da família Quaggio, o carrilhão do Santuário Nossa Senhora Aparecida, o Mosteiro da Imaculada Conceição e a Rosa dos Enjeitados (Roda dos Inocentes).