O documentário sobre Maria Bethânia que o GNT exibe amanhã, às 19h, se chama “Música É Perfume”, por causa de uma frase da cantora, mas poderia se chamar “A Voz do Brasil” ou algo similar. O diretor francês Georges Gachot procura traçar um paralelo entre o que Bethânia canta ou diz e o que este País é ou poderia ser. Na opinião de Chico Buarque, Bethânia encarnaria “essa idéia do país possível”.
Gachot não tem a pretensão de nos impor a tese, mas a indica ao alternar depoimentos da cantora com imagens dos contrastes do Rio e de Santo Amaro da Purificação - a cidade baiana onde Bethânia nasceu. O olhar do diretor não é de denúncia, mas de curiosidade, até de espanto. Para nós, acostumados a elas, muitas das imagens não impressionam mais, mas deviam, porque servem de espelho.
Bethânia pontua o documentário como narradora informal, exaltando a musicalidade brasileira, o papel fundamental do negro, a nossa “tristeza que balança”. Não há informações didáticas sobre a carreira de Bethânia, mas são mostrados os bastidores de seu trabalho, seja no show “Brasileirinho” ou nas gravações do CD “Que Falta Você Me Faz”. Melhor assim. Pode-se ver e ouvir uma outra cantora, um outro olhar.