Washington - Num encontro que colocou à mesma mesa os EUA, o Irã e a Síria, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, pediu que nenhum país se intrometa em assuntos internos do Iraque, mas também a cooperação internacional para o fim da violência.
“O Iraque precisa de apoio nessa batalha, que não ameaça só o Iraque, mas também todos os países da região”, disse. Ele não se referiu explicitamente à ocupação do país pelos EUA, que apóiam seu governo mas vêm pressionando pela repressão aos grupos paramilitares xiitas - Maliki é xiita, como 60% da população iraquiana.
“Nós pedimos a todos que assumam a responsabilidade moral ao adotar uma posição forte e clara contra o terrorismo no Iraque e que cooperem com a repressão de forças do terror.”
Para ele, o sangue derramado no Iraque por forças sectárias pode se espalhar por todo o Oriente Médio. Por sua vez, Zalmay Khalilzad, embaixador dos EUA em Bagdá, pediu que os outros países da região interrompam o fluxo de soldados, de armas e de propaganda sectária.
Foi uma referência ao Irã e a Síria, que os EUA acusam de fomentar a violência no Iraque. “Eu encorajo todos os vizinhos a rejeitar a violência seletiva contra certas categorias de iraquianos ou contra a coalizão (as tropas americanas).”
Para Maliki, também é preciso que os outros países do Oriente Médio não transfiram para o Iraque suas guerras.
O Irã é um dos principais aliados dos xiitas iraquianos, enquanto a Arábia Saudita apóia os sunitas, que detinham o poder até a derrubada de Saddam Hussein. Maliki pediu o fim do apoio financeiro e de armas e da “cobertura religiosa” para os ataques de sunitas contra xiitas.
Ontem, um carro-bomba matou 20 pessoas no bairro xiita de Cidade Sadr, em Bagdá. “O terrorismo que tentou semear o sectarismo é um obstáculo à reconstrução nacional.” Em sua opinião, é o mesmo terrorismo que sofreram a Arábia Saudita, o Egito, a Jordânia, Madri e Nova York.
Acusado por seus opositores de aplicar uma política sectária, o premiê iraquiano aceitou a organização da conferência diante da violência que devasta seu país - em 2006, foram mais de 34 mil mortos, aponta a ONU. Ele sempre foi contra uma iniciativa parecida.
O encontro também vinha sendo considerado uma oportunidade para “quebrar o gelo” entre o Irã e os EUA. Porta-voz do governo iraquiano disse que iranianos e americanos se cumprimentaram numa conversa a portas fechadas, mas que não deram a impressão de terem tido “conversas diretas”. Os iranianos teriam exigido a liberação de presos capturados pelos EUA.
Os dois países não mantêm relações diplomáticas desde a Revolução Islâmica de 1979. A reunião de ontem reuniu os seis vizinhos do Iraque, os países do Conselho de Segurança da ONU e representantes árabes.
Violência
Um grupo militante islâmico iraquiano pouco conhecido declarou ontem que matará dois reféns, uma mulher alemã e seu filho, em 10 dias caso Berlim não retire suas tropas do Afeganistão.
O grupo Flechas da Justiça publicou um vídeo num web site usado por grupos militantes, entre eles a al Qaeda, em que Hannelore Marrianne Krause, 61 anos, aparece chorando e implorando para que a Alemanha cumpra as exigências dos militantes.
Os jornais alemães disseram que a mulher - casada com um médico iraquiano - e seu filho são ou alemães que fixaram residência no Iraque ou iraquianos com nacionalidade alemã.