Moscou - Com as votações regionais de hoje, a Rússia começa um ciclo eleitoral que terminará em março do ano que vem, quando será desvendado o mistério que domina a política do país: quem será o sucessor do presidente Vladimir Putin, que muitos analistas consideram isolado politicamente, mas com crédito junto a uma parte do eleitorado.
Se a votação de hoje servir de modelo, a maioria dos opositores terá dificuldades na eleição para o Parlamento, em dezembro, e ficará fora da briga pelo Kremlin.
A campanha para as eleições legislativas deste domingo, em 14 das 89 regiões do país, foi marcada pela quantidade incomum de partidos barrados - a maioria de oposição a Putin.
Quem ficou de fora, acusa o governo de Vladimir Putin de promover um expurgo político com o intuito de preparar um pouso suave no Kremlin para o sucessor do presidente. O mistério só envolve o nome, pois ninguém tem dúvida de que ele será indicado pelo popular Putin.
As normas eleitorais estão no centro de mais uma polêmica envolvendo a concentração de poder nas mãos do presidente Vladimir Putin e o cerco à oposição.
Aprovadas em dezembro por um Parlamento dominado por deputados governistas, elas entram em vigor em algumas das regiões que irão às urnas hoje. Muitas foram amplamente criticadas pela oposição a Vladimir Putin.
Mudanças
Entre as mudanças estão o aumento do número mínimo de membros que um partido precisa ter para se candidatar, que passou para 50 mil.
Um outro endurecimento passa a valer na eleição de dezembro desse ano, quando aumentará de 5% para 7% o mínimo de votação necessário para um partido entrar no Parlamento.
Há ainda uma lei que coíbe “campanhas negativas” e outra extinguindo a opção “contra todos’’ na cédula de votação. As eleilões de hoje, servirão, em parte, para testar tantos obstáculos eleitorais, na opinião de analistas.