Economia & Negócios

Jovens estão entre os mais endividados do Estado

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

O hábito de comprar sem medida e necessidade levou o professor de informática Weldes Carvalho dos Santos, 21 anos, a perder o crédito na praça. Toda semana, conta ele, seu guarda-roupas ganhava, senão uma calça, uma camiseta nova. “Eu tinha cheque e ficava muito fácil comprar. Parecia que os prazos seriam suficientes, mas quando as cobranças eram debitadas, o dinheiro não dava”, comenta o professor.

O caso de Santos reflete a situação de uma parcela representativa dos jovens do Estado de São Paulo. Quase a metade está com o nome incluído nos órgãos de proteção ao crédito.

Pesquisa divulgada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) revela que 43% das pessoas com idade entre 21 e 30 anos estão impedidas de fazer compras a prazo no Estado em razão de inadimplência.

O desemprego e o crédito fácil oferecido pelos bancos explicam o cenário na opinião do economista da ACSP, Marcel Solimeo. “Tem muito jovem fora do mercado de trabalho. Esse fator, aliado ao cartão de crédito, obviamente gera inadimplência. O resultado são esses números que estamos vendo”, ressalta.

A estatística mostra que o descontrole financeiro entre os jovens é maior do que se pensa. Segundo o levantamento, 47% dos cheques sem fundos no País têm a assinatura de consumidores de até 30 anos.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Benedito Luiz da Silva, a inadimplência entre os jovens é motivada pelo consumo compulsivo e, principalmente, pelas facilidades de conseguir dinheiro nos bancos.

“Os jovens estão consumindo cada vez mais cedo, isso porque a mídia cria esse desejo neles. Para agravar o problema, os bancos oferecem as tentadoras contas universitárias, que não exigem renda e liberam talões de cheque e cartões sem restrições”, afirma.

Silva acredita que o cartão de crédito é o grande vilão da falência das pessoas com até 30 anos de idade. “Eles usam cartão para tudo e sem medida. Isso porque os bancos dão um poder de compra que eles não têm”, conclui.

O consumo compulsório, que leva a compras desmedidas e desnecessárias, seguidas de arrependimento, trouxe grandes prejuízos ao auxiliar mecânico Luiz Rafael Xarin Sebastião, 24 anos. Ele diz que gastou mais do que podia e, no momento, tenta regularizar as finanças pessoais. A tarefa, diz ele, não está sendo fácil de ser cumprida.

“A gente vai no embalo das vitrines e acaba fazendo besteira. Depois não dá para pagar nem comprar o necessário”, relata.

Conforme dados divulgados pela Credicar no ano passado, 14,6% dos jovens, no final de 2004, afirmaram utilizar o cartão de crédito para realizar compras mais de uma vez por semana. Informações recentes da operadora dão conta de que esse percentual tem crescido nos últimos meses.

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Preparo financeiro

A falta de controle nas finanças pessoais dos jovens é resultado do despreparo, que deveria ter começado a ser combatido ainda na infância. É o que afirma o economista e consultor financeiro Reinaldo César Cafeo.

Na opinião dele, a maioria das pessoas de até 30 anos de idade assume créditos sem saber empregá-los corretamente. “São pessoas que não possuem a mínima cultura de como lidar com as finanças. Principalmente os jovens da classe média são levados ao consumo pelo impulso, pela necessidade de reconhecimento e status. O resultado: dívidas impagáveis”, analisa.

Cafeo orienta os jovens a buscar o hábito de planejar as finanças. Ele diz que é preciso confrontar sempre a renda e os gastos, pois só assim é possível saber até onde o consumo pode chegar. “Ter disciplina adequando o comportamento social com o padrão de vida que sua renda permite é essencial”, ressalta o economista.

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Negociar é chave para limpar o nome

Ter o nome incluído na lista de órgãos de proteção ao crédito é um incômodo que tem atingido cada vez mais pessoas no últimos anos. O principal agravante é que o consumidor fica impossibilitado de efetuar compras a prazo.

De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, solucionar o problema exige negociação com o credor. Ele diz que o momento é propício para o devedor negociar a redução de multas e juros, mas o procedimento também tem de ser feito com cautela. “Concluída a negociação, é importante que não se faça novas dívidas para conseguir liqüidar as anteriores. E o ideal é parcelar os valores dentro do limite que se pode pagar”, alerta Cafeo.

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