Política

Para historiadora, candidatos que não integram ‘guetos’ devem desaparecer

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 1 min

O afastamento cada vez maior da política pela sociedade pode ser explicada pela consolidação da democracia capitalista, após as revoluções francesa e americana. É a opinião da historiadora Sônia Mozer, que aponta as origens da democracia capitalista como fonte da “discriminação’ dos políticos com pessoas de fora da classe.

Segundo ela, a democracia foi consolidada pela burguesia, que tratou de deixar de lado pessoas que não tinham o mesmo perfil. Dessa forma, a classe política se viu formada por pessoas que têm mais preocupação com o poder do que com o coletivo, barrando correntes de pensamento que não se encaixam nesses ideais de poder.

Para Mozer, de tempos em tempos aparecem candidatos sem esse vínculo com os ‘guetos’ políticos, reflexo da ‘rebeldia’ popular na hora do voto. No entanto, ela aposta no desaparecimento desses candidatos. “Esse tipo de pessoa, quando é eleita, é um fogo fátuo, vai desaparecer”, diz.

A historiadora alerta que na classe política brasileira há elementos que julgam serem donos do mandato, ou seja, não tratam do mandato como coisa pública, mas como algo particular. Para esses políticos, não foi o povo quem votou, mas ele que ganhou a eleição por seus próprios méritos. “E como ele ganhou, se julga no direito até de nomear seus parentes. Isso forma guetos, lobbys ou panelinhas, seja qual for o nome que queira dar, para impedir que seu mandato seja colocado em risco. Por esse motivo, eles tentam impedir essa renovação”, ressalta.

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