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Tintura lidera venda de cosméticos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O bauruense é extremamente preocupado com a aparência dos cabelos. Prova disso é o imenso consumo de coloração capilar registrado pelas casas especializadas em cosméticos.

Gerentes desses estabelecimentos afirmam que não são apenas as jovens que procuram renovar o visual com os produtos.

“Não tem idade. Adolescentes, adultos e idosos compram muito e freqüentemente”, ressalta Thiago Monge Ferreira Pinto, sub-gerente de uma loja de cosméticos da cidade.

Segundo ele, as mulheres representam 80% da clientela. “Elas preferem as tintas de marca e aquelas que estão no auge na mídia”, completa.

Em outra loja do município, alguns clientes chegam a comprar produtos de beleza mais de uma vez por semana. “Tem muita gente que vem na segunda e volta na quinta ou na sexta-feira. Primeiro levam tinta para o cabelo. Depois, quando voltam, costumam conferir e levar novidades”, relata Ricardo Zanoni Fernandes, sócio-proprietário da empresa.

O diagnóstico demonstra que o bauruense tem ampla representatividade no grupo de brasileiros vaidosos, que destaca o Brasil como o terceiro maior consumidor de cosméticos do mundo. Os norte-americanos lideram a lista, seguidos dos japoneses, segundo o Instituto de Pesquisa Euromotor.

No ano passado, o segmento faturou US$ 18,2 milhões no País, um crescimento de 26% sobre 2005.

O mercado revela que o consumidor não tem receio em mexer no bolso quando o assunto é estética. É o caso da publicitária Estela Jarussi, 38 anos, que freqüenta salões de beleza toda semana em Bauru.

“Faço escova toda semana e pinto o cabelo a cada 20 dias. É um investimento de R$ 70,00, que na minha opinião, vale a pena”, comenta.

Vaidade é mesmo uma das características da publicitária, que freqüenta os salões de estética desde os 20 anos de idade. O cuidado com o corpo vai muito além do uso de secadores, escovas e tinturas para o cabelo. Todos os dias, Jarussi usa vários cremes para a pele. “De manhã uso um sabonete especial para o rosto e, sempre que tomo banho, uso um hidratante. Filtro solar também é fundamental. Por fim, à noite, não deixo de passar um creme nutritivo no corpo”.

Consumidores como a publicitária deixam boas cifras nas lojas de produtos cosméticos. Conforme Ricardo Fernandes, dono de um estabelecimento especializado em Bauru, alguns clientes já chegaram a fazer compras no valor de um salário mínimo, que hoje está em R$ 350,00.

“A pessoa compra de tudo um pouco. Leva a tinta para o cabelo, depois um tonalizante, um perfume, enfim, leva um bom estoque para a casa”, diz.

Os homens não ficam tão atrás das mulheres no consumo de cosméticos. Húdson Bertozzo, gerente de uma loja especializada no Centro de Bauru, comenta que há alguns anos, a procura da ala masculina era apenas por produtos fixadores de cabelo. Hoje, o hábito mudou.

“Principalmente os mais velhos, levam muita coloração, creme para hidratação capilar, xampus tonalizantes. A preocupação com a estética ficou maior”, comenta Bertozzo.

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Vaidade excessiva

A busca pela estética perfeita está incentivando o brasileiro à vaidade excessiva. É o que avalia a médica especialista em dermatologia estética Daniela Hueb. Na opinião dela, a situação é agravada pela mídia e pelo perfil de trabalhador que o mercado está exigindo atualmente.

“A valorização da beleza e da juventude está em alta na mídia. Vemos isso pelas capas e matérias das revistam, que só falam sobre dietas, corpo perfeito. Por outro lado, as empresas estão exigindo cada vez mais boa aparência dos profissionais”, diagnostica a médica.

Ela lembra que antes de usar qualquer produto de beleza, inclusive na pele, é preciso saber se o corpo está apto a receber o produto. “Trata-se de um procedimento muito sério, que pode causar danos irreversíveis se a loção for rejeitada pelo organismo”, alerta Hueb.

O ponto positivo da preocupação com a estética corporal, segundo a médica, é o aumento da auto-estima. “A pessoa fica fortalecida emocionalmente, mais segura ao tomar decisões e se sente mais aceita na sociedade e, principalmente, no ambiente de trabalho”, acrescenta.

Apesar disso, Hueb recomenda uma avaliação médica antes de comprar qualquer tipo de produto estético para o corpo.

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