Por enquanto, as lideranças religiosas de Bauru garantem não estar preocupadas com o aumento do número de pessoas que se declaram como sem-religião. Para Edson Valentin, presidente do Conselho de Pastores de Bauru, que representa cerca de 500 instituições do segmento evangélico existentes na cidade, as transformações não estão causando esvaziamento dos templos. “Este processo não nos causa medo, até porque a quantidade de evangélicos também cresceu bastante nas últimas décadas”, afirma.
Para a lideranças da umbanda, o fato de mais pessoas se declararem como sem religião também não causa problemas. “Na verdade, nos últimos anos a presença de freqüentadores em nosso templo tem sido até maior”, afirma o sacerdote bauruense Rodrigo Queiroz.
A umbanda tem duas categorias básicas de seguidores.“Os fiéis são os já iniciados, que participam ativamente dos cultos. Já os freqüentadores, que são a maioria nos templos, são pessoas que vão até o templo apenas para assistir aos rituais ou receber algum tipo de auxílio”, explica.
De acordo com Queiroz, como para acompanhar os ritos não são necessário bastimos ou rituais de conversão, o número de pessoas presentes aos cultos praticamente não tem oscilado.
Quem mais sente os reflexos do avanço dos sem-religião é a Igreja Católica (é a denominação que mais perdeu fiéis nas últimas décadas).
Ainda assim, o padre Luís Antônio Sé, vigário-geral da Diocese de Bauru, prefere ser cauteloso ao comentar o processo. “Não sei se podemos dizer que essas mudanças são negativas”, pondera.
Na opinião dele, a perda de fiéis ajuda a Igreja a refletir suas falhas. “Por muito tempo, estivemos ausentes de determinadas áreas. Essa distância colaborou para que os católicos acabassem ficando desmobilizados e se afastassem da religião”, avalia.