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Em 10 anos, 1 milhão de pessoas deverão apresentar cirrose

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

São Manuel – Pressão política para ganhar prevenção a hepatites é a maneira encontrada pela Organização Não Governamental (ONG) “C TEM QUE SABER C TEM QUE CURAR”, de São Manuel (a 69 quilômetros de Bauru), para pressionar o Ministério da Saúde, com o apoio da Câmara dos Deputados. Francisco Martucci, o presidente da ONG, alerta que nos próximos 10 anos 1 milhão de brasileiros estarão cirróticos hepáticos, segundo dados de especialistas. A causa é a falta de tratamento da hepatite C e B. “Não podemos esquecer que não há sintoma na hepatite C”, reforça. A projeção é que a doença mate 12 brasileiros por dia, segundo Martucci, lembrando que a enfermidade pode evoluir para cirrose ou câncer de fígado.

Na semana que vem, a ONG de São Manuel vai fazer um corpo a corpo na Câmara dos Deputados para colher assinaturas dos 513 parlamentares em um documento que servirá para pressionar o MS. A carta fortalece também a atuação da Frente Parlamentar de Hepatites e Transplantes, composta por seis deputados.

O que os parlamentares vão ler é estarrecedor do ponto de vista de saúde pública. Os números assustam até quando são positivos. Um a cada 30 brasileiros se encontra infectado com a hepatite B ou C. No Brasil, são aproximadamente 2 milhões de portadores crônicos da hepatite B e 4 milhões de portadores da hepatite C. Desse total, 95% dos infectados não sabem que têm a doença. Menos de 17.500 casos foram diagnosticados em 2005, sendo que somente menos de 9 mil - 0,2% dos infectados - receberam tratamento. “Os 6 milhões representam quase 10 vezes o número de portadores do HIV (vírus da aids), mas você não ouve e não vê se falar sobre esta epidemia”, critica.

As hepatites representam um grave problema à Saúde Pública e é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como sendo a doença crônica infecciosa mais importante no mundo. Isso se deve ao maior percentual de morte e diminuição da expectativa de vida dos infectados em 15 anos. Martucci acrescenta que as pessoas que morrem hoje por hepatite têm 55 anos, em média, enquanto que a expectativa de vida do brasileiro é de até 70 anos em média, conforme dados do Ministério da Saúde.

No Brasil, há cerca de 58.274 pacientes na lista de espera para transplante de órgãos, sendo que quase 6.000 aguardam um fígado novo, praticamente todos por culpa das hepatites. “Mas 60% deles morreram na fila antes de receber o transplante”, contextualiza Martucci.

O lado bom, caso o apelo seja atendido, é que até 600 mil mortes poderão ser evitadas com detecção precoce da doença, oferta de tratamento e campanhas institucionais, ação que o governo federal ignora. As hepatites já são tratadas pelo Serviço Único de Saúde (SUS). De acordo com Martucci, falta o Ministério da Saúde adotar o combate das patologias como ação estratégica.

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