O jornal “LigAção Sindical” teve vida curta, porém intensa. Para quem não se lembra, imagine um jornal feito exclusivamente para a classe trabalhadora, tendo no conselho editorial somente representantes sindicais. A periodicidade era mensal e chegou a ter doze sindicatos juntos numa mesma edição. Isto aconteceu no ano da Constituinte, em 1988. As categorias unidas, fortalecendo as reivindicações salariais e fazendo pressão no Congresso Nacional. Foi um arraso!
Um ano convivendo com sindicalistas gera histórias para um livro, mas uma das mais engraçadas aconteceu com o então representante de Bauru do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Campinas, João Lourenço, hoje é membro do PSDB local.
Numa noite, após o fechamento do jornal, estávamos conversando em frente ao Sindicato dos Gráficos - Claudionor Alves de Souza, João Lourenço e eu. Era uma dessas noites escuras, sem lua, o sindicato ficava na rua Rio Branco, que terminava na linha férrea e era nesta quadra que nos encontrávamos, não havia mais ninguém na rua. De repente, ouve-se um estouro de escapamento de moto que, aos ouvidos do João Lourenço, mais parecia um tiro de revólver ou coisa pior.
Conhecedor das histórias dos porões da ditadura e consciente de que muitos patrões estavam contra o nosso jornal, não pensou duas vezes, se atirou no chão, entrando embaixo do carro estacionado rente à calçada, gritando para nos abaixarmos imediatamente. Quando percebeu o tremendo mico, foi logo se justificando contando uma história mais triste que a outra dos terríveis tempos de tortura e desaparecimentos de trabalhadores e estudantes.
História contada pela jornalista Silvia Oliva