Economia & Negócios

Farmácia Popular ainda é desconhecida

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O programa Farmácia Popular do Brasil, do Ministério da Saúde, completa um ano de atendimento em Bauru. Porém, de acordo com os proprietários de redes de drogarias credenciadas, as vendas são inferiores ao esperado. Muitas pessoas desconhecem as facilidades e vantagens para a compra de centenas de medicamentos relacionados aos problemas causados pelo diabetes e por hipertensão, com descontos que variam de 50% a 90%. Em Bauru, 12 estabelecimentos estão credenciados pelo Ministério da Saúde. A expectativa é que ainda esse mês o número aumente.

Por mais de uma ano Ademar José Pavani, 61 anos, comprou pelo preço normal os remédios para o coração receitados pelo médico. “Gastava cerca de R$ 90,00 por mês em três remédios”, lembra. Há seis meses encontrou na porta da sua casa folhetos de uma farmácia informando que estava vendendo remédios pela Farmácia Popular. “Fui até lá e foi bastante simples. Todos os remédios encaixaram na faixa dos 90% de desconto e hoje levo tudo por pouco mais de R$ 9,00”, conta.

Para adquirir o remédio pela Farmácia Popular, a pessoa deve ter em mãos a receita médica e o CPF. Em Bauru, uma dúzia de farmácias e drogarias vendem os medicamentos listados pelo Ministério da Saúde. O vendedor verifica se o remédio está na lista, que pode ser acessada em www.saude. gov.br, e manda o pedido ao Governo Federal, que automaticamente libera a venda. No cupom fiscal, é impresso os dados do estabelecimento, o valor total da compra e o valor subsidiado pelo programa. Cada receita pode ser usada durante seis meses, mas apenas uma vez por mês.

Apesar da facilidade, a procura está abaixo do esperado pelo tamanho da vantagem oferecida. “A procura e o interesse existem. Mas acho que faltou divulgação principalmente para os médicos, que deveriam receitar os remédios que estão na lista”, avalia Antônio Augusto Gomes, sócio proprietário da rede Farmacentro, que hoje conta com duas lojas vendendo pela Farmácia Popular e espera credenciar outras em breve.

“É um benefício indiscutível, mas que poderia alavancar ainda com a classe médica”, observa. Ele calcula que nas lojas da sua rede que atendem o programa, as vendas da Farmácia Popular não ultrapassem 3% do faturamento. Mesmo percentual é apontado pelo proprietário da Rede Droga Rio, Álvaro Lima, que foi a primeira a participar do programa em Bauru.

A rede que já possui cinco lojas vendendo os medicamentos subsidiados pelo Governo Federal, pretende abrir a sexta unidade em breve, próxima ao terminal rodoviário. Entusiasta do programa, o empresário chegou a distribuir panfletos sobre o Farmácia Popular e entregar para médicos, tabelas com a relação dos medicamentos oferecidos. Para ele, o programa é muito bom, mas falta divulgação e informação. “As pessoas não acreditam, acham fantasioso poder comprar uma insulina de R$ 90,00 por R$ 9,00”, conta. Após um ano vendendo pela Farmácia Popular, Lima aponta que o programa está sub-utilizado em Bauru. “Era para estar muito maior. Com mais pessoas atendidas”, avalia.

Usuários

José Roberto Eleutério de Oliveira, diretor da Associação dos Diabéticos de Bauru, também elogia a iniciativa federal. “Hoje, a lista conta com cinco marcas de insulina normal, além de incluir a do tipo ‘caneta’. Isso mostra que ela está acompanhando evoluções”, avalia”. Para ele, o governo finalmente percebeu que tratar o diabetes, é investir em prevenção. “O diabético se não tratado, pode se tornar hipertenso, ter problemas cardiovasculares”, explica. Para ele, falta popularizar o acesso. “A maioria das drogarias que atendem, está na área central. O número de estabelecimentos que atendem pelo Farmácia Popular precisa ser ampliado e levado à periferia”, avalia.

Apesar dos aspectos positivos, o programa deixa muitas pessoas na mão. Marcos Gomide espera até hoje o seu remédio para controle de pressão entrar na lista do Ministério da Saúde. “Essa lista está incompleta. Se eu pudesse comprar pela Famrácia Popular, poderia economizar até 80%”, calcula.

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Números

Atualmente, em todo o País, funcionam 220 lojas credenciadas em 667 municípios, em 25 Estados e no Distrito Federal. Diariamente são atendidas cerca de oito mil pessoas no Brasil. Desde março do ano passado, foram fornecidos 57 milhões de comprimidos para o tratamento de hipertensão; 23,8 milhões para diabetes e 420 mil frascos de insulina. Dos 50 medicamentos mais vendidos, 60% são genéricos. Dos medicamentos dispensados até hoje, 65% são para o tratamento da hipertensão e 35% para diabetes.

A farmácia ou drogaria interessada em fazer parte do Farmácia Popular do Brasil deverá entrar em contato com o Ministério da Saúde e estar regularizada junto à Receita Federal, INSS e Anvisa.

O representante legal e o técnico responsável deverão, ainda, estar registrados no Conselho Regional de Farmácias (CRF). Para mais informações sobre ou de como participar do programa: www.saude.gov.br ou pelo 0800-611997.

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