Morreu ontem aos 92 anos, o artista plástico José Baccan. Acometido de uma pneumonia, ele estava internado desde o último dia 15 de janeiro. Baccan teve sua saúde abalada quando sofreu uma queda dentro de casa em outubro do ano passado. Isso o obrigou a ficar deitado o tempo todo o que acabou provocando a pneumonia.
Ele ficou internado durante 15 dias em novembro. Em janeiro, teve de ser novamente internado Por dois dias, ele voltou para casa e teve tempo de assinar dois quadros que havia pintado. Depois disso, voltou ao hospital e sua saúde foi se agravando.
O velório de José Baccan está sendo realizado na sala 3 do Centro Velatório Terra Branca. O enterro está marcado para 17h, no Cemitério do Ypê.
Nascido em Bariri, em 5 de junho de 1914, José Baccan passou parte de sua infância em Jaú e mudou-se para Bauru em meados da década de 1920. Autodidata, ele começou a pintar com apenas 8 anos, em 1922. Aos 12, foi aprendiz do pintor Zico Andreozzi e, quatro anos depois, passou a decorar estampas e arriscar-se mais na criação de suas obras.
Em 1937, Baccan fundou o 1.º Salão de Pintura de Bauru, juntamente com Padovani e Gerônimo Graciano. Um de seus primeiros quadros, “Paineiras e Flores”, foi comprado em 1948 pela Prefeitura Municipal de Jaú. Em sua trajetória, o artista plástico sempre seguiu um estilo livre de pintura, mas passou por várias fases e estilos. A década de 40 foi marcada pela natureza morta, época em que o pintor deu ênfase aos temas da natureza, ao colorido vibrantes flores e paisagens.
Nesse período, ele descobriu sua preferência por pintar águas, característica que tornou-se marca registrada de sua carreira. “Adoro retratar a água”, afirmou Baccan ao Jornal da Cidade, em entrevista há dois anos. Indagado sobre o por quê de sua preferência, ele respondeu: “Porque isso é o mais difícil”. Perfeccionista, ele sempre buscou ângulos diferenciados e a combinação minuciosa de cores em seus trabalhos.
Retratos de Bauru
Além dos inúmeros quadros inspirados em rios - o Batalha e o Jaú são os prediletos do artista - Baccan possui um rico acervo. Uma de suas telas de maior destaque é uma arte sacra, “Cristo de 1939”. Outra pérola é a tela “Nações Unidas da década de 50”, obra que inaugurou a série de trabalhos feitos em homenagem a Bauru, com retratos de monumentos e espaços da cidade.
Ao longo de sua trajetória, Baccan também passou pela fase das marinhas, e depois das flores. Eclético, ele perseguia a riqueza de detalhes em todas as produções. O reconhecimento do público sempre foi à altura e nas décadas de 1940, 50 e 60, a maioria dos estabelecimentos comerciais e residências familiares de Bauru possuíam - ou tentavam conseguir - uma obra do artista.
Entre os principais prêmios que Baccan recebeu, destacam-se o 4.º Prêmio no Salão de Belas Artes de Bauru, com a tela “Barreirinho”, em 1956; prêmio “Melhor do Ano no Setor Artístico”, em 1978; e “Prêmio Aquisição” com o quadro “Batalha Fonte d’Água”, no 2.º Salão de Artes, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura.
No ano passado, o Espaço Cultural Leônidas Simonetti sediou a última exposição com obras do artista, “Baccan, Um Realista Moderno”. Na ocasião, ele completou 84 anos dedicados à arte.