Bairros

Meia-hora de chuva transforma Nações em rio

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de vários dias de sol forte e tempo seco, as chuvas voltaram. O calor sufocante das últimas semanas não ficou impune. O temporal da tarde de ontem, classificado como forte pelos especialistas do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, deixou diversos pontos de alagamento ao redor da cidade e parou o trânsito da avenida Nações Unidas.

O aguaceiro era esperado. O dia havia amanhecido quente e ensolarado e até o começo da tarde não havia sinal de nuvens escuras no céu. Bastou um vento mais forte, porém, para que o tempo fechasse, por volta de 14h30. Com apenas 30 minutos de chuva, a Nações de transformou em um verdadeiro rio.

A enxurrada tomou conta de pelo menos 15 quarteirões da via, entre o Parque Vitória Régia e a avenida Nuno de Assis. A água era tanta que cobria até as calçadas. Nenhum veículo conseguia atravessar o lamaçal.

Alguns motoristas mais imprudentes bem que quiseram se arriscar a ir em frente, mas não obtiveram êxito. No ponto mais crítico, na altura da quadra 7, próximo ao Centro Cultural, carros chegaram a rodar. No momento mais dramático, uma mãe assustada tentou salvar o filho das águas que invadiam o veículo.

A mulher, não identificada, chegou a colocar a criança sobre o teto do carro para protegê-la. Por fim, o automóvel acabou sendo removido do local e a família se safou. Como de praxe, o trecho da Nações próximo ao Poupatempo se transformou em um verdadeiro lago.

Barreira

A Polícia Militar (PM) e o Corpo de Bombeiros tiveram de fazer uma barreira no local para impedir que os carros prosseguissem. Mas um motorista que rumava pela Nações em direção à Nuno de Assis resolveu ignorar a presença das autoridades.

Anderson Alves de Souza avançou o bloqueio com seu Palio placa CMC 0028, de Bauru. Os dois policiais (um deles era capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da Base Noroeste da PM no município) da viatura determinaram que ele se retirasse do local, mas mesmo diante da repreensão, o rapaz tentou ir adiante.

A situação irritou as autoridades. Os agentes determinaram que Souza e um passageiro (cujo nome não foi divulgado) descessem do carro. Ele e o colega foram revistados. De acordo com os policiais, o motorista não portava carteira de habilitação e aparentava sinais de embriaguez. De acordo com Kitazume, Souza seria liberado, horas mais tarde.

O alagamento também não assustou os pedestres que circulavam pelo local. Alguns, inclusive, quiseram avançar em direção ao viaduto. Muitos eram adolescentes. Os bombeiros tiveram trabalho para conter os “destemidos”. Em determinados momentos, os agentes foram obrigados a levantar a voz com os mais teimosos.

“Todo vez que tem alagamento é a mesma história. A gente vive alertando que não é seguro atravessar as águas, mas muita gente prefere não dar bola para os nossos avisos”, desabafou um bombeiro que estava nas proximidades.

Até o fechamento desta edição, não haviam sido registradas vítimas em decorrência do temporal. Duas horas depois de acabada a chuva, a situação na Nações se normalizou. O asfalto estava completamente seco, o sol brilhava e o calor já havia retornado. Os sinais do temporal eram o lixo, que ficou espalhado por toda a cidade, devido a força da enxurrada e novos velhos buracos, insistem em reaparecer.

De acordo com os especialistas do Ipmet, a precipitação acumulada na região do instituto, durante os 30 minutos de temporal, foi de 6,1 milímetros. A média histórica de chuvas para o mês de março é de 131 milímetros. “Se formos analisar, essa quantidade não é muito alta”, garante meteorologista Adelmo Antônio Correia. Pode até ser. Mas que as águas vieram com força, isso não dá para negar.

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Ventos fortes

As fortes enxurradas e os alagamentos não foram os únicos problemas ocasionados pelo temporal que atingiu Bauru ontem à tarde. O vento também causou muitas dores de cabeça aos moradores dos bairros. Ontem, por exemplo, logo após a chuva acabar, ainda era possível se avistar a única vítima provocada pelo aguaceiro: uma árvore de aproximadamente quadro metros de altura, que se encontrava caída na quadra 3 da rua Alípio dos Santos, na Vila Universitária (Zona Sul da cidade).

Terezinha Silva, 53 anos, testemunhou a queda da planta. “Foi logo assim que a chuva começou”, garante ela. A dona de casa mora em frente ao local onde a árvore tombou. Por sorte, o incidente não provocou danos nem deixou feridos. O bombeiros foram acionados por Silva e removeram os galhos em pouco mais de cinco minutos.

Além da árvore, os maiores prejudicados pelo temporal foram os expositores da Feira de Artesanato Ubá. Eles foram obrigados a desmontar suas barracas mais cedo. Em ocasiões normais, o evento costuma se estender até às 17h.

Os participantes do Grand Prix de Vôo a Vela também tiveram problemas com a chuva forte (leia mais em Esporte). Pelo menos cinco competidores tiveram de abandonar a prova antes do término.

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