Que o vôo a vela é um esporte radical todo mundo já sabe. Ontem, porém, por volta das 12h40, as pessoas que estiveram presentes ao Aeroclube de Bauru para assistir à 2.a etapa do Grand Prix Brasil de Vôo a Vela foram submetidas a “doses” elevadas de adrenalina, antes mesmo do início da prova. A apreensão que tomou conta dos torcedores e organizadores foi provocada pelo atraso do piloto Alexandre Segalla, que quase não decolou devido a um problema no planador.
Minutos antes da largada, o competidor percebeu que a aeronave estava sem o pitot, instrumento responsável por fazer a medição da altitude durante o vôo. Foram momentos de nervosismo para o piloto. Mecânicos e organizadores viraram a pista de ponta cabeça a procura à procura da peça. A busca, porém, não foi bem sucedida.
Ao que tudo indica, Segalla perdeu o pitot na etapa de anteontem do Grand Prix, quando foi obrigado a realizar um pouso forçado em uma propriedade rural nas imediações do Distrito de Tibiriçá (20 quilômetros de Bauru).
Faltavam nove minutos para a largada, e os mecânicos ainda estavam em busca de uma peça substituta. Enquanto isso, os demais planadores (outros oito, além de Segalla) aguardavam o sinal que indicaria o início da prova.
Duas mulheres que estavam na platéia sentiram de maneira mais intensa o “drama” do piloto bauruense. Marlene Zorzi, mãe de Segalla, e Amanda, irmã do piloto, aguardavam ansiosas por uma reviravolta na situação.
Quando faltavam menos de cinco minutos para a largada, os mecânicos encontraram um pitot substituto e as coisas começaram a melhorar para Segalla. Mas o tempo corria; nem mesmo os organizadores sabiam se o piloto conseguiria largar a tempo. Além disso, havia o risco dele ser desclassificado devido ao atraso.
Segalla tinha apenas dois minutos para instalar a peça no planador. Depois disso, teria de ser conduzido por um avião monomotor até uma altitude de aproximadamente 1.000 metros, para poder largar ao lado dos demais competidores. Apesar de todo o esforço, não deu.
A contagem regressiva já estava sendo feita e o avião que rebocaria Segalla não havia sequer ligado os motores. Os competidores partiram, e Marlene tentava, inutilmente, identificar o filho entre eles.
Ela e a filha já haviam perdido a esperança, quando foram surpreendidas pelo ronco do rebocador que levava o piloto atrasado para os ares. O locutor anunciou: “Alexandre Segalla conseguiu largar!”. Logo em seguida, a organização da prova informou que ele não seria desclassificado.
Ainda assim, ontem não parecia ser o dia do competidor. Devido às fortes chuvas que atingiram a região, ele foi obrigado a abandonar a prova, nas proximidades de Avaí.
Desta vez, porém, ele não foi o único a ser surpreendido pelo acaso. Outros quatros participantes tiveram de deixar a disputa devido ao mau tempo. Henrique Navarro e Marcelo Shayeb terminaram empatados na 1.a colocação. João Widmer, o “Batata”, que havia vencido anteontem, acabou em 3.º. Ele é o líder geral do Gran Prix. A competição segue no final de semana que vem, com largadas sempre no começo da tarde.