Bagdá - Uma série de explosões matou ao menos 29 pessoas em Bagdá ontem, apenas um dia depois que uma conferência internacional para dar fim à violência e levar estabilidade ao Iraque, que reuniu representantes de 17 países, ocorreu na Capital.
Um carro-bomba que visava atingir um caminhão que transportava peregrinos xiitas matou 19 pessoas no distrito de Karrada, no Centro de Bagdá, e deixou mais 20 feridos.
Os peregrinos retornavam da cidade sagrada de Karbala, ao sul de Bagdá, onde milhões de fiéis se reuniram no final de semana para participar da celebração do fim dos 40 dias de luto pelo aniversário da morte do imã Hussein, considerado o sucessor do profeta Maomé.
Ao leste de Bagdá, um suicida se explodiu em um microônibus, matando dez pessoas e ferindo oito, segundo a polícia. A força da explosão destruiu o veículo. O ataque ocorreu em uma área próxima de Cidade de Sadr, bastião da milícia armada xiita Exército de Mehdi. Cerca de 340 pessoas - em sua maioria xiitas a caminho de Karbala - morreram em ataques de violência sectária na semana passada.
Na reunião de sábado, o premiê iraquiano, Nouri al Maliki, pediu que os países da região e as potências mundiais ajudam a dar fim à violência sectária, que ameaça mergulhar o Iraque em um conflito civil que poderia se espalhar para outros países do Oriente Médio.
“Nós convocamos todos a assumir a responsabilidade moral pela adoção de fortes medidas contra o terrorismo, e cooperarem no combate às forças do terror”, disse Al Maliki.
O premiê qualificou as ações do terror como uma “epidemia internacional”, cujo preço vem sendo pago pelo povo iraquiano, já que o Iraque está na “linha de confronto”. Segundo ele, seu país precisa da ajuda de seus vizinhos para deter a violência entre xiitas e sunitas.
“Confrontar o terrorismo significa suspender qualquer tipo de ajuda financeira ou apoio ideológico, assim como apoio logístico, vendas de armas e envio de homens que realizam ações suicidas, matando nossas crianças, mulheres e idosos e destruindo nossas mesquitas”.
Países vizinhos e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Reino Unido, Estados Unidos, França, Rússia e China - participaram do encontro em Bagdá, que reuniu na mesa de negociações os EUA, a Síria e o Irã.
O Iraque também convidou outros países do Oriente Médio para as discussões - entre eles, o Bahrein, Egito, Jordânia, Kuait, Arábia Saudita e Turquia. Resultados Ao final da conferência, o ministro iraquiano de Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari, afirmou que o encontro teve resultados “positivos”. “A reunião foi construtiva e positiva, os assuntos discutidos foram totalmente voltados para a a estabilidade no Iraque”, afirmou.
Após o encontro, os EUA anunciaram que a Turquia se ofereceu como anfitriã de uma nova conferência em abril, e que a secretária de Estado Condoleezza Rice participará da reunião. Abbas Araghchi, vice-ministro iraniano de Relações Exteriores, também qualificou o encontro de “construtivo”.
Durante a reunião de ontem, o Embaixador americano para o Iraque, Zalmay Khalilzad, pediu que os vizinhos do Iraque façam mais para deter o fluxo de terroristas suicidas, armas e propaganda que contribua para a violência sectária no Iraque.
Os EUA acusam o Irã e a Síria de fomentarem a violência no Iraque, acusações que são negadas pelos dois países. Autoridades da segurança nas duas regiões dizem que extremistas sunitas vindo da Arábia Saudita também entram no Iraque. O Irã é um importante aliado da maioria xiita no Iraque, enquanto a Arábia Saudita e outros países de maioria sunita são aliados da minoria sunita no Iraque.
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Mais soldados norte-americanos
Washington - O presidente George W. Bush pediu ao Congresso americano que revise seu pedido de aumento de gastos com as guerras no Iraque e no Afeganistão para mandar mais 4.400 tropas, além dos 21,5 mil soldados extras que solicitou em janeiro.
Numa carta à presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, Bush escreveu que quer redirecionar US$ 3,2 bilhões dos US$ 93 bilhões suplementares pedidos para pagar as operações no Iraque e no Afeganistão, informou Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança.
O senador democrata Charles Schummer disse, num programa da rede CBS, que a maioria do seu partido deve aprovar o aumento de soldados no Afeganistão, “que é onde está a raiz do terrorismo”. Lá, viveriam os líderes da Al-Qaeda.
O senador republicano Arlen Specter lembrou que o pedido de Bush era esperado, pois o chefe das tropas dos EUA no Iraque, David Petraeus, disse que era preciso o envio de mais soldados. Há atualmente 141 mil tropas americanas no Iraque. No Afeganistão, são 27 mil.