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Para FHC, PMDB deve lançar candidato em 2010 e Alckmin é bom nome para SP

Folhapress
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São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apoiou ontem a declaração do presidente reeleito do PMDB, deputado Michel Temer (SP), sobre a possível candidatura própria do partido à Presidência da República em 2010. “Deveria ter (candidato próprio) há mais tempo. O partido precisa ter um candidato para se fortalecer. Ou então uma aliança estável. Mas acho que ele (Temer) fez bem em dizer que terá candidatura própria”, disse FHC.

Atualmente o PMDB participa do governo de coalizão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e espera indicar nomes para até cinco ministérios e estatais. A bancada do Senado quer manter o controle dos Ministérios das Comunicações (Hélio Costa) e Minas e Energia (Silas Rondeau), além de garantir a nomeação de José Temporão para a Saúde. O PMDB-Câmara quer duas pastas: Integração Nacional (Geddel Vieira Lima) e Agricultura.

Para o ex-presidente, a aliança PT-PMDB foi súbita, com objetivo congressual e em troca de “três ou quatro” ministérios. “O sistema de governabilidade tal como é colocado ontem leva a isso: os partidos se unem em função dos interesses”, disse. Fernando Henrique não soube avaliar se o apoio do PMDB ao governo Lula facilitará a aprovação das reformas no Congresso.

Como presidente de honra do PSDB, FHC definiu como “erro estratégico” o apoio do PSDB à eleição do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) como presidente da Câmara. “Vi esse apoio com muita tristeza. Foi um erro estratégico”, disse o ex-presidente, que ontem participou de seminário sobre voto distrital promovido pela Associação Comercial de São Paulo. Foi a primeira vez que FHC se pronunciou sobre o assunto.

O ex-presidente disse que a atitude de alguns deputados tucanos na Câmara foi um erro porque “nunca viu na política alguém fortalecer o adversário”. Apesar disso, para FHC, a atitude não resultou em fragmentação do partido.

Alckmin

FHC disse que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) será um bom candidato para disputar a Prefeitura de São Paulo nas eleições do ano que vem. “(O Alckmin) seria um bom candidato. Mas não o único. Também não sei se ele quer ser (candidato)”, disse o ex-presidente. Fernando Henrique preferiu não adiantar quem é o candidato de sua preferência porque, segundo ele, ainda é muito cedo para falar sobre o assunto. “No momento adequado vou opinar, ainda é muito cedo para isso”, afirmou.

O ex-presidente explicou que não participa das discussões internas do PSDB sobre eleições porque passa uma temporada nos EUA, onde leciona na Universidade de Brown. “Vou dizer com toda franqueza que não conversei sobre isso com ninguém, nem com o Alckmin, com quem eu almocei na semana passada. Agora somos vizinhos de universidades’’, justificou o ex-presidente, que veio ao Brasil especialmente para o seminário.

O ex-governador paulista também está nos EUA, só que para estudar. Desde o começo do ano, o tucano faz um curso na Universidade de Harvard, como bolsista numa turma especial para estrangeiros. A expectativa inicial era que Alckmin ficasse seis meses fora do Brasil. Mas a previsão é que o ex-governador retorne para São Paulo até o fim do mês. Um dos motivos da antecipação da volta é a eleição 2008.

Tucanos próximos a Alckmin defendem que o ex-governador precisa articular apoios para sua provável candidatura, tanto dentro como fora do PSDB.

Voto distrital

O ex-presidente também defendeu o voto distrital puro como forma de melhorar a falta de credibilidade nos políticos e aproximar os eleitores de seus representantes nos legislativos municipais, estaduais e federal. No voto distrital puro, cada distrito - que poderá ser formado por um grupo de municípios, por exemplo - elegerá um deputado federal para representá-lo na Câmara.

Na avaliação de FHC, o voto distrital já poderia ser implementado para as próximas eleições municipais, pois “se não determinar um prazo, a proposta não se concretiza”.

Questionado se haveria tempo para fazer a mudança até as eleições de 2008, FHC disse que a questão do tempo não existe quando há vontade de fazer. Para o ex-presidente, a mudança no sistema eleitoral poderá induzir a outras modificações da reforma política, como fidelidade partidária, financiamento público de campanha e lista de candidatos.

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