Muito se fala atualmente sobre o sanduíche que leva o nome de Bauru. Uma iniciativa sem maiores pretensões por parte do bauruense Casimiro Pinto Neto, cujo pai, Hermínio Pinto, foi durante longos anos o responsável por um órgão público que era conhecido como Coletoria Federal, cargo esse que, após o falecimento do seu titular, passou a ser exercido por sua mulher, Leonilda Pinto.
Casimiro, bauruense de nascimento, aqui passou sua infância e parte da juventude, mudando-se depois para São Paulo, indo residir com uma tia. Lá, terminou o curso ginasial e o colegial e, na Faculdade do Largo de São Francisco, formou-se em direito.
Participou da Revolução de 1932 e em diferentes combates especializou-se no “descobrimento de ninhos de metralhadoras inimigas”, conforme frisaram seus familiares em correspondência que nos foi enviada.Formado em advocacia, granjeou um largo ciclo de amizades, tornando-se uma presença marcante na sociedade paulistana, visto a sua facilidade de expressão. Sempre simpático, sorridente e afável, transformou-se em uma figura indispensável nos acontecimentos sociais.
Ingressou no rádio, tendo sido o primeiro radialista a comandar, em São Paulo, o programa noticioso - Repórter Esso - audição que ficou famosa no Rio de Janeiro, através da Rádio Nacional, na voz de Heron Domingues.
Levado por amigos, passou a integrar o grupo liderado por Adhemar de Barros, quando este era o interventor de São Paulo, nomeado por Getúlio Vargas nos anos 30. Ocupou vários cargos junto a nomes de expressão, entre os quais Wladimir de Toledo Pizza, que em certa época foi prefeito paulistano.
Visto a sua atuação nas diversas funções exercidas, ganhou a confiança dos políticos e acabou sendo titular de um cartório de registro civil em bairro desmembrado de Santana (São Paulo). Teve assim, Casimiro, rápida ascensão em sua vida profissional, graças aos seus predicados de homem competente, prático e de ações muito bem recebidas. Freqüentador assíduo do Ponto Chic, famoso bar do Centro de São Paulo, ali se reunia com os amigos para jogar bilhar, conversar, trocar idéias e desfrutar dos aperitivos acompanhados de salgadinhos e outras guloseimas. Esse local também era ponto de encontro de jornalistas, intelectuais, entre os quais o amigo e médico Wladimir de Toledo Pizza, chefe político ligado a Adhemar de Barros e que foi quem o indicou para ser o titular do novo cartório.
Wladimir, ao ingressar no Rotary Clube (na época existia em São Paulo apenas uma entidade de Serviço), a pedido dos dirigentes do mesmo, escreveu um livro dedicado às mães, cujas páginas continham uma série de informações sobre a boa alimentação das crianças, a começar pelo recém-nascido.
Essa publicação (Livro das Mãezinhas), que contou com o patrocínio da Caixa Econômica, era distribuída pelos cartórios aos casais que lá compareciam para o registro dos filhos. Casimiro Pinto Neto, como titular de um daqueles órgãos, lendo atentamente a publicação tomou conhecimento da melhor alimentação para uma boa saúde (proteínas, carboidratos e vitaminas).
Certa noite, ao chegar no Ponto Chic, solicitou ao atendente que preparasse um sanduíche diferente e foi ditando tudo aquilo que ele desejava que fosse colocado dentro do pãozinho francês. Quanto ao ano em que isso, aconteceu, oficialmente nada há, pois foi uma iniciativa nascida sem maiores aspirações, por isso existem dúvidas quanto à data.
Retornando um pouco no tempo, conforme informações que recebemos há muito de seus familiares, principalmente da sua prima-irmã Marilu Torres, casada com Nilton Travesso, dois nomes de destaque da televisão brasileira, o apelido de Casimiro Pinto Neto, de Bauru, surgiu durante a Revolução de 1932, quando ele recebeu de sua mãe um casquete (pequena cobertura para a cabeça, bibi) com o nome de Bauru bordado. Assim, ele passou a ser chamado pelos seus companheiros soldados. Esse tratamento carinhoso continuou após aquele movimento militar, quando ele voltou à ativa em suas ocupações civis.
Saboreando o novo sanduíche, ele influenciou os amigos que, quando chegavam ao Ponto Chic, solicitavam do balconista que fizesse um igual aquele do Bauru e assim nasceu o sanduíche que leva o nome de nossa cidade. Como são muitas as dúvidas quanto à data em que foi criado o sanduíche Bauru, por que não se prestar as homenagens, justamente na data do seu aniversário, que está bem próxima, ou seja, 5 de abril (1914)? Mais detalhes sobre a história dessa iniciativa que leva o nome de Bauru, até mesmo ao Exterior, poderão ser a nós solicitadas, que estaremos à disposição para fornecê-las.
O autor, Luciano Dias Pires, é jornalista e editor do Bauru Ilustrado