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Lula, o sexólogo


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Ao defender o uso de preservativos, o presidente Lula instituiu o “dia de combate à hipocrisia”, que está estabelecido na cabeça de todos nós. Então, eu sou um hipócrita. Foi o presidente Lula quem disse. Calma, que eu explico: Sou dirigente de uma instituição que abriga crianças e adolescentes do sexo feminino, fundada no ano de 1924, e por onde já passaram milhares de assistidas. Eu, como os diretores anteriores, sempre nos conduzimos apoiados na boa moral cristã, principalmente na controvertida questão da sexualidade.

Mas depois da bronca do presidente cheguei à conclusão de que preciso ser menos “hipócrita”. Acho que devo reunir as meninas e, munido de uma banana e alguns preservativos, instruí-las sobre o uso dessa panacéia mais do que centenária, que já foi conhecida por Condom e Redingote Anglaise, mas por essas bandas é chamada de camisinha mesmo. Não sou absolutamente contra o uso de preservativos, mas acho que essas campanhas de difusão do chamado “sexo seguro” também servem para induzir a erotização da sociedade, que já está saturada por uma apreciação hedonista da vida, celebrada através da banalização do sexo, embalada por música de qualidade duvidosa, encharcada de bebida e droga.

Além do que o programa brasileiro é mais do que simplista. É o mesmo que é adotado - com resultados duvidosos - em vários países africanos, onde a Aids grassa. Existem outros exemplos a serem considerados. A campanha realizada em Uganda não pode ser desprezada. Lá, o programa de prevenção se resume a um trinômio: abstinência, fidelidade ou camisinha. E a conscientização de que sexo inseguro não vale a pena nem com preservativo.

Mas eu sou um “hipócrita”. O presidente disse que “sexo é uma coisa que todo mundo gosta... sexo tem que ser feito e ensinado como fazer”. Vou andar com uma banana e preservativos. Sempre que surgir uma oportunidade vou agir de modo didático, como ensinou o presidente.

Quando o presidente disse que sexo “é uma necessidade da espécie humana e da espécie animal”, me lembrei de uma frase do escritor João Ubaldo Ribeiro: “O homem vai ficar tão livre... tão livre... como os animais”. Será que foi mais ou menos isso que o presidente quis dizer? Pode ser. Ele disse também que “é preciso que haja uma evolução na qualidade da massa encefálica que temos dentro do cérebro”. Ao ouvir mais esta pérola, fiquei preocupado. Acho que a minha massa encefálica não evoluiu. Por mais que eu me esforce, não entendo bulhufas do que ele fala.

O autor, Ciro d‘Avino, é presidente do Lar Anália Franco de São Manuel

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