Vruuummm... O mundo continua correndo, mas hoje, o dia pede um pouco de poesia. Romântica, concreta, visual; qual o estilo desses “tempos modernos”? E a velocidade dos versos da globalização que atingem leitores de todo o mundo? No Dia Nacional da Poesia, poetas e lingüista revelam contextos e sonoridades das obras e garantem: há espaço para tudo e todos.
Para o lingüista e professor João Batista Chamadoira, história e poesia sempre tiveram uma estreita relação, como demonstra o poema “Cota Zero” (“STOP./ A vida parou/ ou foi o automóvel?”), de Carlos Drummond de Andrade. Na análise do professor, os versos, publicados em 1930 impulsionados pelo modernismo, trazem a angústia do homem diante do progresso.
De acordo com o professor, os autores buscam espelhar nas poesias a sociedade em que vivem. E, nos anos do século 21, o que se observa “são textos que trazem uma visão de um mundo conturbado, rápido; de uma sociedade incompreensível pela violência que ela representa”, diz Chamadoira.
Exemplos dessa velocidade estão na ausência de pontuação e linearidade, explorados por João Guimarães Rosa e José Saramago. Mais contemporâneos são os trabalhos de Ana Cristina César, Ana C., que se matou em 1983 aos 31 anos, e de Elisa Lucinda, atriz que atuou recentemente como a médica Selma na novela global “Páginas da Vida”. “São obras também marcadas pela angústia”, sintetiza o professor.
Acompanhando as inovações tecnológicas de uma sociedade norteada pelo visual, a poesia também cresce em outros meios, além do papel.
O designer e professor Marcelo Mota é um desses pesquisadores da poesia visual, em que as palavras ocupam a dimensão da imagem. Inspirado no concretismo, Mota realizou duas exposições em Bauru, sendo que a última, em 2004, trouxe um elemento a mais: o movimento, conseguido por animação gráfica.
Trabalhos de Mota podem ser vistos no site www.poemavisual.com.br/poetas/marcelomota.
Outra marca da poesia contemporânea é a referência global. Diferente da poesia regional da metade do século 20, os autores contemporâneos prezam por temas e estilos universais. Como a artista plástica bauruense Bianca Shiguefuzi. Em 2005, Bianca expôs “A Poesia da Imagem” com mais de 30 trabalhos baseados na poesia haicai, poemas de origem japonesa com três ou quatro versos. Na mostra, a artista transpôs para a pintura o trabalho de três poetas brasileiros “haicaístas”: Paulo Leminski, Guilherme de Almeida e Eunice Arruda.
Tradicionais
Na contramão da modernidade, muitos autores ainda se prendem à forma, como a delegada de Bauru da União Brasileira de Trovadores (UBT), Ercy Maria Marques de Faria. Apesar de admirar a poesia livre, Faria trabalha mesmo é com a métrica, com os sonetos. “Eu prefiro a poesia tradicional, ela é mais bonita, mais forte”, diz a autora, que escreve desde a primeira vez que viu a palavra versificação, ainda nos tempos de colégio.
Mais difícil que as trovas, Faria exalta a produção trabalhosa dos sonetos. “Há uma técnica a ser seguida que precisa ser observada. Afinal, são 14 versos com dez ou 12 sílabas e acentuação”, explica. Com textos publicados em mais de dez antologias, para Faria, poesia é um estado de alma ausente nos dias de hoje. “Haveria paz na terra/Não seria a vida inquieta/Se a criança, em vez de guerra, brincasse de ser poeta/”, diz Faria citando os versos de Luiz Otávio, considerado o príncipe dos trovadores brasileiros.
A bauruense Ivone Mattiazzo também é uma senhora da poesia tradicional, mas sem a intelectualidade da forma. “Minha poesia é simples. Não tenho preocupação com rima, nada...Eu sento e vou escrevendo”, explica. Com 76 anos de idade, ela se dedica à arte de poetizar seus sentimentos há 37 anos. “Me sentia sozinha e comecei a escrever o que sentia”. Hoje, são mais de 30 poesias, muitas delas publicadas na coluna “Ao Pé da Letra” do JC. “Poesia é meu passatempo, minha diversão”, finaliza.
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Data
O Dia Nacional da Poesia é comemorado hoje, 14 de março, em homenagem ao grande expoente da poesia romântica no Brasil, o poeta Castro Alves, nascido no mesmo dia. Escritor romântico, Castro Alves morreu de tuberculose na capital baiana no dia 6 de julho, de 1871, aos 24 anos. Em pouco tempo de vida, ele escreveu textos importantes, como “Navio Negreiro”, que o consagrou como poeta dos escravos.
Fonte: IBGE Teen