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Pacientes renais podem ficar sem kit para diálise domiciliar

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Pacientes renais crônicos de Bauru e região que fazem diálise em casa correm risco de ficar sem o kit distribuído gratuitamente para realizar o processo. A Baxter Hospitalar Ltda, empresa que fornece o material, enviou carta aos 80 atendidos em Bauru e região alertando que por falta do repasse feito pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), abril será o último mês de envio dos kits. A AHB sustenta que já firmou acordo com a empresa e que a entrega está garantida. Por sua vez, a fornecedora informa que as negociações ainda não terminaram.

Todos os dias, há quatro anos, José Antônio Fratini, 46 anos, passa nove horas fazendo a diálise em sua casa. Paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), ele recebe gratuitamente o kit para fazer o tratamento. No início dessa semana, quando recebeu a carta da fornecedora alertando sobre a possibilidade de suspensão da entrega, ficou bastante preocupado. “Se eu tiver que comprar tudo, gastaria R$ 2,5 mil por mês”, calcula.

Carta

A carta que a empresa enviou aos usuários, à AHB, à Federação das Associações de Renais e Transplantados do Brasil (Farbra), à Secretaria de Saúde e ao Tribunal de Contas explica que, devido a uma dívida substancial acumulada ao longo de meses e pela falta de solução amigável, abril seria o último mês de fornecimento dos kits e a entrega seria suspensa a partir de maio. A carta também aconselha o usuário a entrar em contato com um médico para orientação sobre a continuidade do tratamento.

Apesar de não revelar o montante total da dívida, a AHB disse que o valor mensal gasto com diálise domiciliar é de R$ 127 mil. A assessoria de imprensa da associação informou que a pendência financeira com a fornecedora já estava resolvida e que não há risco algum dos pacientes ficarem sem os kits.

Já a Baxter, em sua nota oficial, informa: “a empresa tem por princípio atender às necessidades dos pacientes. A Baxter entende as eventuais dificuldades dos prestadores de serviço em honrar seus compromissos. Por isso, tem por princípio também estabelecer longos processos de negociação. O processo de negociação com a Associação Hospitalar de Bauru continua em curso e a Baxter está otimista em relação aos seus resultados”.

Procurado pelo Jornal da Cidade, o presidente da Associação de Apoio e Assistência aos Renais Crônicos (Abrec), José Humberto Santana, disse que só irá se pronunciar quando a entidade for comunicada oficialmente sobre o problema.

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Como funciona

A diálise peritonial, que é feita em casa pelos próprios pacientes, funciona da seguinte forma: um líquido especial, chamado solução para diálise, entra no abdome através de um cateter, que foi cirurgicamente implantado no paciente renal crônico.

As substâncias tóxicas passarão, aos poucos, através das paredes dos vasos sangüíneos da membrana peritoneal, nos rins, para a solução de diálise. Depois de algumas horas, a solução é drenada do abdome. Em seguida, volta-se a encher o abdome com uma nova solução de diálise para que o processo de purificação seja repetido.

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