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Seqüestradores libertam juiz em Alagoas

Por Sílvia Freire | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Maceió - Depois de passar 55 horas em poder de seqüestradores, o juiz Paulo Zacarias da Silva, 52 anos, presidente da Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis), foi libertado na madrugada de ontem, após pagamento de resgate de R$ 10 mil.

O magistrado disse que a ação dos criminosos não teve motivação política e que, segundo conversas que teve com os bandidos, eles não sabiam que haviam seqüestrado um juiz. “O líder dos seqüestradores disse: ‘Se soubesse que o senhor era juiz, não teria pego o senhor’. Mas que (a ação) não ia ficar de graça”, disse. Para o juiz, os bandidos foram atraídos pelo carro dele (um Corolla).

O secretário de Defesa Social do Estado (responsável pela segurança pública), general Edson Sá Rocha, politizou o seqüestro e disse que, na opinião dele, a ação teve como objetivo desestabilizar o governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB). Até o início da noite de ontem, três pessoas haviam sido presas suspeitas de participar do seqüestro. Entre elas, duas mulheres que teriam ajudado na logística da ação.

O juiz contou que foi abordado por três homens armados quando estacionava seu carro em frente a uma igreja evangélica, na noite de domingo. Ele foi colocado dentro do carro com a cabeça coberta. O carro trafegou pelas ruas de Maceió em alta velocidade e chegou a atropelar um motociclista. O juiz foi levado a um cativeiro dentro de uma mata fechada, próxima a um canavial, no município de Satuba, região metropolitana de Maceió. O juiz ficou abrigado numa barraca de camping. O carro do magistrado foi queimado e encontrado na madrugada de segunda, em Coqueiro Seco (AL).

Zacarias disse que passou a negociar diretamente com o líder da quadrilha o pagamento de seu resgate depois que o seqüestrador disse que a família não estava disposta a pagar. O criminoso exigiu R$ 500 mil. Ele ofereceu R$ 30 mil e subiu depois para R$ 50 mil. Paralelamente, os seqüestradores negociavam com a família o pagamento do resgate, o que foi feito na noite de anteontem.

Na madrugada de ontem, depois de andar por mais de uma hora e meia na mata, o juiz foi deixado encapuzado em um canavial. Por volta das 3h, ele percebeu que havia sido abandonado, tirou o capuz e começou a andar até encontrar uma van, que o levou para Maceió.

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