Foram as veiculadas em manchetes pelo JC em edição recente, sob o título “Etanol cria ‘xeiques’ e transforma Interior em novo Oriente Médio” e outra publicada pelo “O Estado de São Paulo”, no mesmo dia, com o título “O Brasil terá uma nova usina de álcool por mês até 2012”. Trazendo ainda a informação de que as 386 usinas atuais devem chegar a 409 até o ano de 2013. Se este incremento do plantio da cana-de-açúcar tem o seu lado positivo, que seria a gradativa substituição do atual petróleo nocivo por emissão de gases por outro combustível não- poluente, como é o caso do etanol, em nosso país, em que não existe uma política de ocupação do solo, e se existe parece não ser cumprida, o fato torna-se preocupante pelos efeitos em cascata que poderá provocar.
Grupos e xeiques riquíssimos surgirão com o surgimento de verdadeiros oceanos canavieiros; muitos lavradores proprietários de médias fazendas optarão pela nova perspectiva de riqueza ou tranqüilidade ao se livrarem das invasões de suas terras e dos entraves trabalhistas que hoje em dia amedrontam e desestimulam o pequeno e médio agricultor; também há o aceno da expectativa de aumento de milhares de empregos, fato que seria muito positivo. Mas para ceder a essa monocultura, matas, cerrados e pastagens representados na cor verde de nossa bandeira desaparecerão; é quase certo que os rios serão erodidos e poluídos com inseticidas aéreos e de solo; os pássaros, aves e animais silvestres migrarão para as pequenas e grandes cidades à procura de alimentos e abrigos, desencadeando muitos problemas de convivência.
Os regimes de chuvas e climas já tão conturbados e incertos sofrerão outras alterações e os efeitos serão sofridos por todos, e também pelos futuros “xeiques” e novos ricos. Tal estado de coisas redundará ainda na redução do plantio e colheita de alimentos. Ninguém ficará imune! Não é preciso ser cientista ou pesquisador. Até um professor como eu é capaz de antever que este oceano canavieiro, se de um lado enseja um novo Oriente Médio no Brasil, por outro lado colaborará para o desequilíbrio ecológico, tendo um peso fundamental no aquecimento global de nosso Planeta penalizando a vida humana no futuro. O que deve ser feito?
Sinceramente, não sei e também tenho consciência de que a minha opinião, a de um modesto professor, não chega a ser nem uma gota neste oceano. Mas sabendo que alguns leitores concordam comigo, sentir-me-ei feliz e realizado! Somente nos cabe esperar e desejar que os homens públicos responsáveis pelo bem-estar e segurança do povo acompanhem de perto os grandes empreendimentos a fim de que os empresários se empenhem em planejar e racionalizar evitando os excessos, promessas e ambições de riquezas, preservando esta nossa casa chamada planeta Terra, pois não teremos local para mudar quando aqui a vida humana se tornar um pesadelo por encontrar situações adversas e sem retorno!
Finalmente, este não é um problema apenas do homem brasileiro, americano, russo ou europeu, mas sim do homem global e somente uma educação globalizada poderá conscientizá-lo nesse sentido de preservar para poder viver!
Joaquim Eliseo Mendes - professor