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Madrugar não garante consulta

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Quem depende do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Bauru, conhece a rotina: se não madrugar na porta do posto, não consegue atendimento no dia. Mas mesmo essa tática não está funcionando. Na esperança de que alguém solucionar o seu caso, ontem Ademir Sebastião Aiolfi, 50 anos, continuava na porta da UBS da Vila Dutra, mesmo sabendo que não seria atendido por um médico.

Ele chegou na unidade às 5h40 e era a quarta pessoa da fila. “Antes do posto abrir, já tinha gente virando a esquina”, conta. Apesar do esforço, apenas os três primeiros conseguiram vaga no dia. Os outros foram embora sem atendimento. Aiolfi, no entanto, ficou na esperança de que alguém o atendesse. “Eu só preciso que alguém assine a minha receita”, dizia.

A consulta dele foi marcada para o dia 5 de abril. “Mas eu tenho só mais um remédio e eu tenho que tomar dois por dia. Amanhã (hoje) eu volto e chego às 4h na fila”, planeja. Sem poder madrugar, Matilde Nunes, 64 anos, chegou às 8h na UBS, já sem esperanças. “Eu sabia que não ia ter vaga. Mas eu preciso passar por um clínico. Se não der, tenho que voltar amanhã (hoje)”, diz.

Moradora do Parque Real, ela diz ter medo de ir até a unidade de madrugada, então pretende adotar a tática que já usou mais de uma vez. “Vou dormir na casa de uma amiga que é vizinha do posto e vou entrar na fila às 3h. Já fiz isso e deu certo”, conta. Na unidade da Vila Ipiranga, Aparecida Rodrigues da Silva era só elogios. Ela conseguiu uma vaga para passar por um médico.

Ela chegou às 6h e conta que já tinha 15 pessoas na sua frente. De acordo com a usuária, todos conseguiram as consultas. “A equipe daqui é muito boa, os funcionários e os médicos são muito atenciosos”, elogia. Para ela, a culpa não é só do sistema de saúde. “As pessoas também têm que fazer a sua parte. Se você precisa ser atendido no dia, tem que chegar cedo para ver se vai ter vaga de desistência”, diz.

A assessoria de comunicação da prefeitura informa que a Secretaria Municipal de Saúde não tem recebido reclamações sobre filas para agendamento de consultas nas Unidades Básicas de Saúde.

A determinação é para que as unidades trabalhem com agenda aberta, ou seja, o agendamento pode ser feito ao longo do dia, com exceção da Unidade de Saúde do Jardim Godoy, pois o Conselho Gestor decidiu pelo sistema de agendamento prévio.

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Hora extra

Para Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) e gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde, uma saída seria o pagamento de horas extras para os médicos da rede básica. “Um projeto de lei que permite o pagamento das horas extras é a solução. Dessa foram, os médicos atenderiam os 16 pacientes agendados e mais outros 16”, aponta.

Ela também dá outras duas sugestões: uma urna para que os usuários depositar em seus comentários sobre o serviço prestado e um livro-diário, onde os próprios pacientes que não conseguiram atendimento possam registrar o tipo de consulta que procuraram (ginecologia, geral, pediatria), a data e seus dados pessoais. Tanto o livro quanto a urna seriam abertos somente pelo conselho gestor da unidade.

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