Bairros

Dengue dispara; Bauru reúne todas condições para tipo hemorrágico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os casos de dengue em Bauru dispararam. Com as últimas 31 confirmações feitas ontem pelo Instituto Adolfo Lutz, o total de pessoas com a doença neste ano na cidade sobe para 79. Pelo número, a cada dia deste ano, pelo menos uma pessoa foi infectada pela doença. Não bastasse a soma já ser superior à registrada em todo o ano passado, o município também reúne as condições para a ocorrência da dengue hemorrágica.

Trata-se da forma mais grave da doença, que pode levar à morte. O paciente corre o risco de apresentar hemorragias em vários órgãos e choque circulatório. Tem mais chance de contrair o tipo hemorrágico quem já foi infectado uma vez. Se pegar dengue novamente, é porque foi infectado por um segundo tipo de vírus.

Existem quatro sorotipos da doença. Três já estão circulando no Estado de São Paulo, inclusive em Bauru. A predominância em território paulista é do tipo 3, informa a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde. “(Com a circulação de vários vírus), aumenta a chance das pessoas que já tiveram a dengue ter por outro tipo, porque do mesmo tipo ela não vai ter. A imunidade é permanente”, explica o infectologista Fernando Monti.

No entanto, a vulnerabilidade do estado imunológico do paciente é determinante para a evolução da doença. “Ela pode desenvolver (dengue hemorrágica) no primeiro contato. Ou a pessoa pode pegar duas vezes a doença e nenhuma delas ser hemorrágica”, acrescenta o encarregado de equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Flávio Tadeu Salvador.

Ele reitera que Bauru tem condições de apresentar casos hemorrágicos, independentemente da situação de outros municípios. Presidente Prudente, por exemplo, teria registrado uma ocorrência dessas, embora a Secretaria do Estado da Saúde não confirme qualquer notificação dessa natureza neste ano.

Segundo a assessoria de imprensa da pasta, frente a uma eventual positivação do caso hemorrágico, o Estado realizará novas análises para atestar a informação. O Instituto Adolfo Lutz também verifica uma suspeita de dengue hemorrágica registrada na cidade de Hortolândia, região de Campinas.

No Mato Grosso do Sul, o número de mortes neste ano em decorrência da dengue já é superior ao de 2006. Pelo menos seis pessoas perderam a vida. Como trata-se do Estado com a maior parte das notificações brasileiras (cerca de 50 mil), as ocorrências de dengue em São Paulo estão concentrados em cidades próximas a ele, como as do norte e noroeste paulista.

De acordo com balanço oficial, até 12 de março deste ano, foram confirmados 5.326 casos entre os 41 milhões de paulistas. No mesmo período de 2006 foram 5.322. Comparando os dois períodos, a dengue mostra estagnação.

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Alternativas

Enquanto o Comitê Estadual de Combate à Dengue, formado por 35 órgãos e entidades governametais, discute meios de orientar a população no combate à doença, diversas pesquisas buscam alternativas para barrar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença.

Por enquanto, não existe qualquer vacina que possa imunizar a população contra o vírus. O combate ao mosquito adulto é feito com inseticida. Mas a principal orientação é a prevenção: não deixar recipiente que possa acumular água ao ar livre.

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