Lins - A Câmara Municipal de Lins (102 quilômetros de Bauru) criou, na última segunda-feira, uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar possíveis irregularidades que estariam ocorrendo na área de Saúde da Administração Municipal.
Segundo o autor do requerimento, Márcio Gatti (PSDB), além dele, outros quatro vereadores assinaram o pedido de instalação de uma CEI, que foi despachada em plano sem a necessidade de votação. Gatti será o presidente da CEI, que é composta ainda pelo vereador Marcelo Moreira (PT do B), relator, e pelos vereadores Orério Rocha (PPS), Roy Nelson Pinto (PR) e Nelson Guilhen dos Santos (PSB), membros da CEI.
Gatti lembra que a instalação da CEI foi motivada por uma série de denúncias sobre possíveis irregularidades ligadas à Saúde.
Ele cita o caso da hemodiálise que corria o risco de ser fechada por suposta falta de pagamento dos serviços prestados por uma empresa terceirizada. “A empresa acusava a secretaria de não fazer o pagamento. E o pagamento foi feito logo depois que eventuou-se a CEI”, conta.
Outra questão apontada pela vereador diz respeito à epidemia de dengue em Lins. “Por que ela se alastrou dessa forma? Por que não foram feitas companhas?”, pergunta Gatti, que pretende obter as respostas através da CEI.
Outra suposta irregularidade que deverá ser investigada pela Comissão é o empréstimo de cerca de R$ 1,2 milhão feito pela Santa Casa. “Houve uma intervenção na Santa Casa pela Prefeitura Municipal. A prefeitura dizia que a dívida estava toda sanada. Mas houve este empréstimo de R$ 1,2 milhão. Por que foi feito este empréstimo?”, questiona.
Por fim, Gatti lembra que também será investigado a falta de medicamentos nos Postos de Saúde. “Por exemplo, nós não temos nem colírio para vista para quem tem glaucoma”, diz.
A CEI da Saúde foi criada oficialmente na última segunda-feira. De acordo com Gatti, ela será dividida em duas partes, uma para investir as denúncias que envolvem supostas irregularidades na Santa Casa e outra na saúde municipal como um todo.
O vereador acredita que dentro de um mês os integrantes da Comissão devem começam a ouvir as pessoas. Por hora, a CEI deve solicitar todos os documentos referentes às denúncias. “Nós vamos pedir todas as documentações necessárias sobre todos esses casos e depois vamos começar a ouvir as pessoas”, conclui, lembrando que a Comissão terá 90 dias de prazo para concluir as investigações, prorrogáveis por mais 90 dias.
O outro lado
A reportagem do JC procurou, por telefone, o secretário de saúde e interventor da Santa Casa, José Adolfo Oliveira Silva, mas foi informada de que ele estaria em um congresso fora da cidade e só retornaria na próxima semana.
No entanto, a Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Lins informou que o secretário está tranqüilo com relação às denúncias que pesam sobre a pasta. “Ele declarou que estava absolutamente tranqüilo porque faz uma administração transparente e que a própria CEI vai provar que não há irregularidade nenhuma”, disse a coordenadoria. “Os agentes de saúde estão visitando (as casas), está sendo feita a nebulização e o trabalho de campo está sendo feito pelos agentes comunitários de saúde. O problema é que há uma epidemia”.
A coordenadoria não soube responder sobre as demais supostas irregularidades apontadas pelo vereador Gatti.