Bairros

Após árvores, Batalha ganha lambaris

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Depois do plantio de árvores nas margens do rio Batalha, que fornece água para 40% de Bauru, agora será a vez do repovoamento com peixes. Na manhã da próxima quinta-feira - enquanto cidadãos de diversos países estiverem comemorando o Dia Mundial da Água -, o Batalha será presenteado com 5 mil alevinos de lambaris.

Numa das atividades organizadas pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru e Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) em comemoração ao Dia Mundial da Água, alunos da rede municipal de ensino e do Colégio Balão Azul Dinâmico soltarão os peixinhos no rio. A programação da semana, de 19 a 24, tem parceria do Fórum Pró Batalha, Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Cultura e empresas parceiras.

Esta é primeira vez que uma iniciativa de repovoamento é realizada no manancial. Todas as ações desenvolvidas anteriormente no Batalha visavam apenas a recuperação das matas ciliares. Ambientalistas garantem que a presença dos peixes é essencial para a sobrevivência do curso d’água.

“Espécies nativas, como o lambari, enriquecem o rio. Hoje em dia, muitos peixes nativos da nossa região estão desaparecendo. Uma ação como essa pode ajudar a ressuscitar o Batalha”, explica o engenheiro agrônomo David Geraldo Pompei.

Ele é coordenador do Fórum Pró Batalha, Organização Não-Governamental (ONG) criada em 1996. Pompei lembra que diversos fatores têm colaborado para a diminuição das populações nativas do rio. O principal deles, garante, é a concorrência imposta por animais exóticos, como o tucunaré, a tilápia e o bagre africano.

“É que essas espécies se alimentam com as ovas e filhotes dos peixes da nossa região”, diz ele. “Por essa razão”, ressalta, “os projetos de repovoamento devem ser feitos com critério. Às vezes as pessoas soltam alevinos de espécies invasoras em um rio, imaginando que estão colaborando para o bem do meio ambiente. Na verdade, estão ajudando a piorar ainda mais as coisas”, alerta.

O assoreamento tem tornado a situação do Batalha ainda mais grave. “Esse processo ‘engoliu’ as margens do rio e acabou eliminando os locais utilizados pelos peixes para desova. Isso sem contar que a falta de profundidade do leito passou a comprometer a sobrevivência de espécies maiores, como o pacu, por exemplo”, diz.

Para amenizar o problema, serão plantadas no mesmo dia cerca de 25 mil mudas de árvores nativas da região. O reflorestamento está sendo feito numa parceria entre Fórum Pró Batalha, Departamento de Água e Esgoto de Bauru e Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

A reativação da cadeia alimentar será um dos principais benefícios que os lambaris trarão ao Batalha, garante Pompei. “Na medida em que eles se multiplicarem, servirão de comida para os peixes maiores, que também terão suas populações aumentadas”, diz.

Os alevinos serão soltos por volta das 10h20, após percorrerem longa viagem desde a usina hidrelétrica de Promissão (aproximadamente 120 quilômetros de Bauru) até a altura do quilômetro 244 da rodovia Bauru-Ipaussu (SP 225).

O evento ocorrerá na Fazenda Santa Madalena, próximo aos limites entre os municípios de Bauru, Piratininga e Agudos. O ato contará com a presença do secretário municipal de meio ambiente, Rodrigo Agostinho Mendonça, e da presidente do Fórum Pró Batalha, Nilcéia de Fátima Paes Muniz.

As comemorações do Dia da Água prosseguem ao longo do dia, com eventos em diferentes pontos da cidade. À noite, haverá uma homenagem ao pintor bauruense José Baccan, morto no último dia 11, aos 92 anos. Ele ficou famoso por retratar cenas do Batalha em suas obras.

Durante a Semana da Água e do Rio Batalha, de 19 a 26 de março, o DAE e os Correios distribuirão à população um folheto explicativo sobre o Sistema de Abastecimento de Água e sobre a qualidade do produto distribuído para uso. As escolas públicas de Bauru estão recebendo material educativo sobre a situação dos recursos hídricos de Bauru.

Comentários

Comentários