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Temporal volta a castigar São Paulo

Por Evandro Spinelli, Cláudia Colucci e José Ernesto Credêndio | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Pessoas ilhadas nas ruas ou em suas próprias casas, veículos sendo arrastados pelas águas nas marginais Tietê, Pinheiros e nas principais vias de acesso a São Paulo, “apagões” espalhados por toda a cidade e muito trânsito - o maior congestionamento do ano.

A cidade de São Paulo parou na tarde de ontem após um temporal de quase uma hora que atingiu principalmente as zonas oeste e norte da cidade. Foi o terceiro dia mais chuvoso do ano, com média de 39,9 mm (quase 25% do previsto para todo o mês).

Um homem, ainda não identificado, foi resgatado com vida em uma galeria de águas pluviais próximo à ponte da Freguesia do Ó, na marginal Tietê. Ele havia sido arrastado pelas águas. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mediu 183 quilômetros de lentidão nos principais corredores de trânsito às 19h, o maior índice do ano. A média para o horário é de 137 quilômetros.

Avenidas como a 23 de Maio e Nove de Julho, as marginais Pinheiros e Tietê e o túnel do Anhangabaú chegaram a ficar parcialmente interditadas por cerca de uma hora. As avenidas Rebouças e Consolação também sofreram alagamentos. O aeroporto de Congonhas ficou fechado para pousos e decolagens por pouco mais de uma hora no meio da tarde. Até as 17h30, quando o aeroporto foi reaberto, 35 vôos já estavam atrasados.

O Corpo de Bombeiros registrou pelo menos 30 chamados de pessoas ilhadas em carros e casas. A Defesa Civil municipal registrou quedas de árvores e muros, mas não houve vítimas. Quatro áreas da cidade foram atingidas por queda de energia - Jardins, inclusive trechos das avenidas Consolação e Rebouças, Pompéia, Butantã e Sumaré. Em todos os casos, a energia foi restabelecida antes das 20h. Os alagamentos ocorreram principalmente porque o sistema de drenagem - bueiros e bocas-de-lobo - não suportou o grande volume de chuvas em um curto período de tempo. Porém, também houve transbordamento de córregos na zona norte, causando, por exemplo, o alagamento na marginal Tietê. O rio Tietê não chegou a transbordar.

Na Freguesia do Ó, choveu 96,5 milímetros em pouco mais de uma hora, o maior índice da cidade. “Há uma semana fiquei uma hora no congestionamento por causa do Bush. Hoje, estou há uma hora e meia praticamente parado por conta da chuva. Ninguém merece esta cidade”, reclamava o empresário Carlos Alberto Bertolotto, que enfrentava a lentidão do trânsito na avenida 23 de Maio, que teve ponto de alagamento próximo ao Obelisco do Ibirapuera.

Na região da av. Rio Branco, os semáforos estavam com defeito, o que piorava a situação do trânsito. Demorava-se pelo menos meia hora para percorrer um trecho de cem metros.

Hoje deve chover durante todo o dia, com pancadas de chuvas no período da tarde. De acordo com Lucyara Rodrigues, meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), o risco de alagamentos é menor, mas aumenta a possibilidade de deslizamentos de terra. De acordo com ela, a previsão de chuvas ao longo do dia segue até o início da semana, quando a frente fria que chegou anteontem à capital começa a se deslocar.

Paraná

A primeira morte registrada em 2007 por causa da chuva na região metropolitana de Curitiba foi confirmada ontem. O corpo do pedreiro João Carlos de Lima, 36 anos, foi encontrado próximo ao rio Formosa, na região sul da Capital paranaense. Lima havia desaparecido anteontem, depois de ter caído no rio. Ele foi arrastado em conseqüência da força da água. Mas o corpo de uma mulher, que desapareceu também em razão da chuva, ainda não foi encontrado.

A dona de casa Marta Suguy, 69 anos, foi levada pela correnteza do rio Formosa, a 2 quilômetros de onde foi encontrado o corpo do pedreiro. Suguy estava no carro com o marido, Tomyde Suguy, 77, quando o veículo foi arrastado pela enxurrada. Tomyde foi salvo e socorrido por pessoas que passavam pelo local, mas a dona de casa não conseguiu sair do carro.

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