Saúde

Caminhada pode agravar dores de pessoas com artrite

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 2 min

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a prática de atividades físicas aeróbicas pode agravar quadros de artrite reumatóide, inflamação nas articulações muito comum em pessoas com mais de 60 anos. Esta é uma das conclusões de pesquisa realizada por professores das Faculdades Integradas de Bauru (FIB). O estudo, que envolveu 17 idosos da cidade e foi realizado no Laboratório de Exercício Resistido da instituição, mostrou também que o fortalecimento muscular é de fundamental importância para uma maior qualidade de vida destes pacientes.

“A caminhada nem sempre é indicada para pessoas idosas e obesas, pois pode provocar maior desgaste ósseo. Com a pesquisa que realizamos, verificamos em todos os idosos que a musculação com movimentos controlados na amplitude e na freqüência reduz a dor e a inflamação das articulações”, explica Carlos Alberto Gomes Barbosa, professor coordenador do projeto.

Para se tornar a melhor opção para quem sofre de dores nas articulações, porém, o fortalecimento muscular com movimentos padronizados, deve ser realizado sob a orientação de educadores físicos, reforça Barbosa, que trabalhou em conjunto com os pesquisadores Gleise Keller Assumpção da Silva, Ricardo Rogério Azevedo e Aguinaldo Marola Júnior.

O grupo iniciou a pesquisa nos primeiros meses de 2006 e através da Secretaria Municipal da Saúde selecionou os voluntários para serem orientados na prática de exercícios. Segundo Barbosa, todos os voluntário estavam acometidos de artrite reumatóide e pressão alta.

O grupo de pesquisadores mapeou todos os dados do esforço de cada paciente, como a carga de força, a amplitude do movimento, o tempo do exercício e a intensidade da dor em cada articulação.

“Quando iniciamos as pesquisas com esses pacientes, todos eram hipertensos devido ao efeito colateral dos remédios para a artrite. Com o fortalecimento muscular, as dores sumiram, eles pararam de tomar medicamentos e em 100% dos casos a pressão arterial voltou ao nível normal”, comemora o professor.

As atividades com os voluntários durou cerca de 14 semanas. Agora, a segunda etapa do projeto é verificar como estão reagindo estes pacientes e se as dores voltaram após o término da atividade física. “Vamos continuar monitorando estes pacientes à distância”, informa o coordenador.

A pesquisa que avaliou o impacto do exercício resistido no comportamento da dor crônica, força muscular e pressão arterial foi aceita no 16º Simpósio Internacional de Atividade Física Adaptada, que acontece na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, no mês de julho. Na ocasião, os pesquisadores bauruenses irão expor os resultados da pesquisa para outros 800 pesquisadores de 80 países.

Os pesquisadores ainda esclareceram que a atividade aeróbica continua sendo importante para melhorar a qualidade de vida. “A caminhada é de fundamental importância para uma vida saudável desde que os pacientes com artrite façam antes de tudo o fortalecimento muscular orientado. Pois com o músculo preparado eles sentem menos dores, caem menos, tomam menos remédios e aumentam a perspectiva de vida”, afirma Barbosa.

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