Brasília - O deputado federal Odílio Balbinotti (PMDB-PR) renunciou ontem ao cargo de ministro da Agricultura antes mesmo de assumi-lo e três dias após ser indicado pelo seu partido.
Após surgirem as denúncias sobre a investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do suposto crime de falsidade ideológica para conseguir prorrogar um empréstimo rural junto ao Banco do Brasil, Balbinotti enviou ontem ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e ao líder do partido, Henrique Eduardo Alves, uma carta na qual solicita a ambos informarem da desistência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na atual fase, o inquérito aguarda a documentação oficial do empréstimo para perícia técnica. Ou seja, confirmar ou não a falsificação. Depois, o Ministério Público Federal decidiria se oferecerá denúncia ou não ao Supremo. Feita a denúncia, caberia ainda ao STF rejeitá-la ou aceitá-la.
“Peço que comuniquem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que retire meu nome do rol de indicados para ocupar o cargo de ministro da Agricultura pelo PMDB. Agradeço a honrosa lembrança do presidente da República, aos companheiros da bancada e a todos que o apoiaram nessa indicação”, informa o documento.
Balbinotti informa ainda na carta que continuará a trabalhar pela agricultura do País, “como parlamentar e como agricultor, profissão da qual muito me orgulho”.
O parlamentar informa ainda que não será “vil” em relação às acusações. “Responderei a todos e os esclarecerei, como tenho feito em toda a minha vida, que sempre foi pautada por total transparência”, conclui Balbinotti na nota assinada por ele.
Com a saída de Balbinotti, cresce a expectativa sobre os nomes que o PMDB deve indicar para ocupar o cargo do ministro Luís Carlos Guedes Pinto, que está em viagem à Ásia e que retorna ao Brasil apenas na terça-feira.
Entre os favoritos estão os deputados Eunício Oliveira (CE) e Waldemir Moka (MS). Este último, praticamente uma unanimidade entre os deputados ruralistas e as entidades do setor, teria a rejeição do ex-governador sul-mato-grossense Zeca do PT, do qual é inimigo político naquele Estado.