Foram 30 anos convivendo com as mais estranhas situações. A experiência ensinou ao ex-delegado J.J. Cardia que nada ajuda mais no sucesso de uma investigação do que a presença do delegado no local do crime ou onde o corpo foi encontrado.
E isso, segundo ele, vale tanto para o crime mais banal até o mais complicado e difícil de ser desvendado. “Temos uma máxima na polícia que diz que o local do crime conversa com o investigador”, afirma ele.
Depois de participar de mais de 600 investigações, Cardia chegou à conclusão de que todos os laudos são importantes e dão sua cota de colaboração para solucionar um crime, mas não são capazes de fornecer ao investigador detalhes que só os olhos e o olfato podem captar.
“Com as informações que você recebe dos laudos mais os dados que coleta no local dos fatos, dá para esclarecer quase todos os crimes”, afirma o ex-delegado.
Cardia lembra de uma certa vez quando um corpo foi achado em um descampado. Ele foi até o local e durante as observações notou um comportamento diferente de duas moças. Cardia pediu a um de seus investigadores que fosse conversar com elas e, desse contato, conseguiram chegar aos autores do crime. “Se eu não tivesse ido até lá, não teria conversado com as moças e, provavelmente, não teria esclarecido o crime”, argumenta.
Segundo ele, saber se uma pessoa foi morta no local onde o corpo foi encontrado ou se foi levada para lá, muda completamente os rumos de uma investigação. Por isso, ele ressalta a importância do trabalho dos entomólogos forenses, que não se resume apenas ao aspecto criminal.
A técnica pode ser usada também para esclarecer pendências envolvendo a presença de insetos dentro de um imóvel. Quando uma família vai morar em outra casa, por exemplo, e depois de um tempo nota que os móveis estão tomados por cupins, a Justiça pode recorrer à entomologia para saber se os insetos vieram junto com a família ou se já estavam na casa quando os novos moradores chegaram.