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Carros flex gastam mais

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Além dos vícios ao volante que afetam diretamente o consumo dos carros, os motoristas de veículos bicombustíveis têm um motivo a mais para se preocupar: o fato dos flex serem naturalmente mais “beberrões”. “Eles realmente gastam um pouco a mais, pois os motores flexíveis não são otimizados para aproveitar a máxima eficiência da gasolina ou do álcool. Isso é fato”, garante o engenheiro mecânico Marcos Serra Negra Camerini.

Ele sustenta que a tecnologia flex tende a tornar os carros mais “gastões” em virtude, principalmente, das taxas de compressão, um número que determina o quanto a mistura ar/combustível é comprimida dentro dos motores.

“Nos propulsores sem o sistema flexível, ela varia em função do combustível. Os (movidos) a gasolina trabalham com taxas menores, em torno de 9/1 (transformação de nove volumes em um volume), e os a álcool maiores, cerca de 12/1, em virtude das diferentes propriedades físico-químicas dos combustíveis”, explica.

Já no caso dos flexíveis, acrescenta o engenheiro, escolhe-se um valor intermediário para que os propulsores possam funcionar com álcool, gasolina ou qualquer proporção da mistura deles. “Dependendo do motor, essa taxa média varia, mas ficará abaixo do ideal para se aproveitar a máxima energia do álcool e acima do padrão para a gasolina, gerando perda de eficiência com ambos os combustíveis”, explica Camerini.

E como a taxa de compressão dos motores flexíveis do mercado nacional situa-se na faixa entre 10,5/1 e 12,5/1, complementa o engenheiro, todos gastarão ainda mais se o combustível utilizado for gasolina.

Apesar dos fatos apontados, Camerini enfatiza que o subaproveitamento dos combustíveis e o consumo dos flexíveis não chega a ser muito mais elevado que os motores exclusivamente a gasolina ou álcool.

“É um gasto entre 10% e 15% a mais”, estima o engenheiro. E frisa: “Na prática, isso também não compromete as vantagens do álcool em relação à gasolina, pois com o primeiro o motor tem melhor desempenho e custo mais barato por quilômetro rodado.”

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