Nacional

Pane agrava atrasos nos aeroportos

Por Eliane Cantanhêde, Humberto Medina e Patrícia Zimmermann | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Uma falha técnica no Centro Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), em Brasília, agravou a crise gerada ontem em Congonhas por conta das fortes chuvas que caíram em São Paulo, e os dois fatores provocaram atrasos e um novo caos nos principais aeroportos do País.

O governo não descarta a possibilidade de os incidentes terem sido provocados ou potencializados por controladores de vôo, que reivindicam a desmilitarização do setor e já fizeram operação-padrão em 2006. A crise de ontem ocorreu dois dias depois do anúncio da desmilitarização na Argentina. “Não tenho como confirmar nem como desmentir”, disse o presidente da Infraero (responsável pela infra-estrutura dos aeroportos), brigadeiro José Carlos Pereira, ao saber que um piloto da TAM anunciou aos passageiros de um vôo Manaus-Brasília, pelo sistema de som do avião, que o problema fora gerado por controladores.

Pereira viaja ontem a São Paulo para se reunir com o prefeito Gilberto Kassab (PFL) para tratar dos problemas e das reformas em Congonhas, que ficou fechado por mais de uma hora e meia no início da manhã de ontem devido ao acúmulo de água da chuva na pista e voltou a fechar por volta das 10h, em função da falha do Cindacta-1.

Na mesma hora foram suspensas as operações no Sudeste e no Centro Oeste, controlados pelo Cindacta-1. O resultado foram atrasos em cadeia ao longo do dia. Em Brasília, todos os 67 vôos atrasaram. Passageiros eram orientados a remarcar o bilhete para o dia seguinte ou aguardar sem compromisso.

De acordo com nota oficial da Aeronáutica, a falha ocorreu no software do Cindacta-1 e durou apenas sete minutos, mas o Ministério da Defesa foi informado de que pode ter chegado a até 20 minutos. Havia divergências quanto ao prazo para a normalização das operações.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou à Infraero que seria às 22h30, mas a previsão da estatal era que a situação só ficaria sob controle por volta da 1h de ontem. A pane foi no servidor usado para acompanhar a seqüência de autorizações dos planos de vôos, que são repassadas aos centros de controle pelas companhias.

Diante do problema, os controladores decidiram ampliar o espaçamento entre as decolagens. O tempo padrão entre uma decolagem e outra é entre três e cinco minutos. Ontem foi ampliado para até 30 minutos por causa da pane. O procedimento suspendeu as decolagens sob responsabilidade do Cindacta-1 por até 45 minutos, até que os planos fossem reinseridos no sistema. Em nota à imprensa, o Ministério da Defesa informou que, durante o período em que o equipamento ficou inoperante, o sistema “funcionou com mecanismos manuais”.

Seqüência

A nova crise de aeroportos vem numa seqüência iniciada com a queda do Boeing da Gol, em 29 de setembro, matando 154 pessoas e deflagrando operações padrões de controladores de vôo, pela desmilitarização e por melhores salários e condições de trabalho. Desde então, já houve pelo menos duas panes conhecidas publicamente: em 5 de dezembro, uma falha no sistema de rádio do Cindacta-1, afetando Brasília, Congonhas e Confins (Belo Horizonte); seis dias depois, uma queda de energia no Cindacta-2, com sede em Curitiba, suspendendo decolagens nos aeroportos do Sul do País.

Como forma de aumentar a eficiência e reduzir a tensão política numa área tão delicada, o presidente da Infraero sugeriu ao Ministério da Defesa que a empresa duplique o número de controladores de vôo sob sua supervisão, dos atuais 490 para 1.000, passando a exigir curso superior para a função.

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