Tribuna do Leitor

Fila virtual no INSS


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Foi notícia a diminuição das filas nos postos de atendimento do INSS que, apesar de ainda existirem e as pessoas madrugarem no local, mostrou que o atendimento tem sido rápido e em vários locais as filas praticamente deixaram de existir. Que bonito, mas será verdade?

O INSS há algum tempo começou a disponibilizar na Internet vários serviços que antes só eram realizados nos postos. Serviços como contagem simples de tempo de contribuição, extrato de pagamento, extrato para fins de imposto de renda, etc, podem ser acessados pela Internet. Os segurados podem também agendar perícias médicas, pedidos de aposentadorias e de pensões.

E aí surge uma fila invisível: a fila virtual. Um segurado que tenta agendar o pedido de aposentadoria por tempo de contribuição por meio eletrônico tem que rezar para a página estar funcionando sem estar com excesso de usuários que fazem o sistema ficar lento ou cair constantemente. Vencida a primeira etapa, conectado, o segurado, por exemplo hoje, consegue marcar o protocolo de sua aposentadoria, aqui em Bauru, só em outubro ou novembro. O segurado que antes ficava até 12 horas na fila física, correndo o risco de não ser atendido, fica hoje sete meses em uma fila virtual. Não adianta muito tentar usar o famoso telefone 135. É lento e a mensagem gravada informando que todos os atendentes estão ocupados no momento sugere que a ligação seja feita entre as 16h e 20h.

Benefícios julgados providos pela Junta de Recurso demoram mais de uma ano para ser analisados no Setor de Revisão de Direitos. Quando esse setor recorre da decisão, o processo fica ainda mais um ano (no mínimo) no Conselho de Recursos da Previdência, que agora tem adotado como praxe, ao invés de julgar com todos os documentos que já possui, designar diligências internas para análise de laudos. Essas diligências demoram, em média, um ano também. Vencidas todas as etapas, tendo o benefício provido pelo Conselho, o processo retorna para o órgão de origem para ser implantado. Aí, novamente, quase um ano, pois há falta de pessoal.

Se o segurando já for aposentado e tentar administrativamente solicitar pedido de revisão de benefício, verá o mesmo demorar mais de cinco anos para ser analisado.

A notícia que os aposentados por invalidez terão que se submeter a nova perícia é de arrepiar. O trâmite para ser aposentado por invalidez é turtuoso e longo, sendo que normalmente a concessão do mesmo demora mais de cinco anos. É claro que existem fraudes, mas colocar como suspeitos todos os aposentados por invalidez é, no mínimo, insano. O certo é que entra governo e saiu governo, os problemas na Previdência são sempre maiores. E não se vê vontade política de corrigir.

Plínio Mércio Baldoni

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