Segundo o dicionário Aurélio, um dos sinônimos da palavra sucesso é definida como resultado feliz. Para atingir esse mérito é necessário passar por alguns obstáculos. Fatos que ocorrem sempre em nosso dia-a-dia. Porém, algo antes considerado normal vem causando danos as mentes de jovens estudantes devido à concorrência e a pressões. A teoria de Charles Darwin sobre a seleção natural, mais conhecida com “A sobrevivência dos mais aptos”, nunca foi tão creditada como agora. A concorrência cada vez mais intensificada tem levado vestibulandos e universitários à beira de um precipício. Os verdadeiros dons dos estudantes são coibidos pelos preceitos que lhes são impostos e o medo do fracasso. Vivemos em um mundo capitalista que tende a nos levar à idéia de que a posse material é sinônimo de sucesso. Este que só é alcançado com um bom emprego e status social, conseqüências de uma boa universidade. Para isso, existem as escolas que preparam alunos durante aproximadamente 14 anos para a concorrida prova de vestibular.
É irônico pensarmos desta forma, pois ao fazer a matrícula em um colégio, os pais lêem a extensa filosofia do ensino, que se resume basicamente em: “Preparar e educar para a vida com cooperativismo e cidadania”. Na realidade, a verdadeira filosofia pode ser descrita da seguinte forma: “Preparar para ser apto a ganhar da concorrência”. Isso pode ser comprovado pela necessidade dos colégios em mostrar os números de aprovados, ignorando a situação psicológica do aluno. O mesmo ocorre nas intactas universidades, que na teoria são a chave para o sucesso.
A pressão cada vez mais exagerada que as escolas têm exercido sobre os alunos pode ter conseqüências ruins, por exemplo, depressões, alcoolismo, uso de drogas, distúrbios mentais e até suicídio. Há ainda o número de profissionais frustrados que são lançados no mercado de trabalho. Esses acontecimentos são mais comuns do que imagina. Porém, esses números não são divulgados por colégios e universidades, que só dão ênfase aos “vencedores”. Um resultado feliz só pode ser alcançado com qualidade de vida. Como educador, a escola deveria estimular o que o aluno tem de melhor, fazendo com que este cresça em meio de valores humanos. Educando-o para a vida toda, não só para uma prova em especial. Competir é uma realidade e ganhar é uma conseqüência. O sucesso só ocorre quando há um sonho e coragem de buscá-lo, sempre lembrando que vivemos em sociedade. Como disse Sêneca, filósofo que viveu no século I d.C.: “Não há vento favorável para o que não sabe aonde vai”.
Karoline Moura Pinto - estudante