Tribuna do Leitor

Israel: “Shalom”, a “Pax Christi”


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Conquista do deserto - Israel tem condições adversas para agricultura. Com escassa umidade do ar - às vezes chega a apenas 2% -, baixa precipitação pluviométrica - ao redor de 300 milímetros por ano - o panorama geral apresenta três faces contrastantes: planícies verdes, montanhas semi-áridas e desertos. A planície de Sharon é a primeira prova da progressiva conquista do deserto. Em fins do século retrasado, Sharon era uma terra morta em que se alternavam as dunas de areia com pântanos. Hoje, a planície verde vai até os bordos das montanhas, que conduzem a Jerusalém. A terra dá quando recebe - em Israel verifica-se o ditado: “É dando que se recebe”. O agricultor dá à terra, quase árida, o cuidado, a água através de irrigação, os adubos naturais, a racionalização do plantio, o acompanhamento constante das plantas. E a terra devolve, em abundância, grãos, frutas, verduras. No começo de 1900, Israel era uma terra quase deserta, com dunas de areia, pântanos, mosquitos e malária. Hoje, é modelo agrícola para todo o mundo (queiram ou não...!). A terra recebeu água, cuidado, carinho. A terra devolve com extrema generosidade...

O Brasil, sobretudo o Nordeste, deveria colher lições de agricultura em Israel. As melhores terras de Israel são como as piores do Brasil. Lá em Israel, através da racionalização agrícola há fartura de alimentos. No Brasil, o descaso, a falta de iniciativa, a falta de criatividade levam o povo a passar fome numa terra que também é generosa, quando recebe água e carinho. Israel tem fartura de alimentos. Mas, infelizmente, não tem um elemento importante para o povo, a paz, o “Shalom”. O produto arrecadado pela venda dos frutos e verduras é gasto em grande parte, na compra de armas.

Destoam, nos verdes campos de Israel, os vôos rasantes dos poderosos jatos carregados de bombas. Melhor seria que os verdes campos de Israel fossem apenas isso - riqueza para o povo de Israel, festa para os turistas que visitam a Terra Santa. E, junto com o espetáculo da terra dadivosa, pudessem usufruir “Shalom”, a “Pax Christi” de que tanto se necessita hoje.

João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa

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