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Crítica: Burocráticos, Pet Shop Boys fazem festa morna para o público de SP

Por Thiago Ney | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Logo no início, o vocalista Neil Tennant fez o convite: “Esta será uma noite de entretenimento eletrônico”. Mas, em vez de uma festa animada, empolgante, a noitada promovida pelos Pet Shop Boys na sexta, em São Paulo, foi morna, desinteressante, comportada demais.

O show foi montado pensando-se na divulgação do último álbum da dupla, “Fundamental”. Se não é ruim, o disco traz muitas canções apenas medianas, que estão longe de achados pop perfeitos como “Being Boring”, que não foi tocada. Outra coisa que não ajudou foi o som do Credicard Hall, extremamente baixo, sem graves - não à toa, muita gente passou boa parte do show papeando com os amigos.

A chuva que caiu em São Paulo na sexta-feira e deixou ruas alagadas fez com que o show inicialmente marcado para as 22h começasse apenas às 22h45, para que o público conseguisse chegar a tempo. Neil Tennant, o mestre-de-cerimônias, surgiu no palco de camisa branca, gravata e jaquetão preto. Britânico até não poder mais, ele gesticula pouco, não altera o tom da voz e dá a impressão de que nem chega a suar.

Não havia banda de apoio: o parceiro de Tennant, Chris Lowe, comandava a música por meio de seu computador. A dupla foi acompanhada por quatro dançarinos e uma vocalista soul. Um telão imenso projetava cenas de filmes antigos e vídeos. Imagens do enterro da princesa Diana foram mostradas durante “Dreaming of the Queen”.

Além do telão, o cenário era completado por tubos fluorescentes que faziam referência aos trabalhos do artista minimalista norte-americano Dan Flavin (1933-96). Se na última vez que estiveram no Brasil, durante o Tim Festival 2004, os Pet Shop Boys realizaram uma performance apoteótica, na sexta pareciam burocráticos, desinteressados. A postura refletia no público, que pouco vibrava mesmo em clássicos como “Suburbia”, “I’m with Stupid” e “Can You Forgive Her”.

Sintomaticamente, foi apenas quando a dupla tomou emprestadas canções dos outros que a festa deu sinais de decolar. Com um pot-pourri de “Always on My Mind” (Brenda Lee/Elvis Presley), “Where the Streets Have No Name” (U2) e “Can’t Take My Eyes of You” (Frankie Valli), os Pet Shop Boys nos lembraram de como podem ser ótimos - deliciosamente kitsch e exagerados. Esse clima tomou conta do final da apresentação, com a clássica “It’s a Sin” e o cover “Go West” no bis. Mas foi muito pouco. Espera-se mais de uma festa dos Pet Shop Boys.

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