Um carro bem dirigido e mantido em condições adequadas é um ótimo meio de transporte para trabalho ou lazer. Existem procedimentos simples que devem ser seguidos para um melhor aproveitamento e utilização da máquina, mas tem gente que insiste em fazer de um modo digamos, estranho, para não dizer outra coisa. Certas manias estão tão enraizadas no costume popular que se tornaram corriqueiras, mas não deixam de estar erradas por vários motivos técnicos, legais ou educacionais.
Um costume muito popular, tão antigo quanto errado hoje em dia, é o de esquentar o carro de manhã antes de sair. Antigamente (mas muito antigamente) era até necessário fazer-se isto, pois os antigos motores não tinham as folgas adequadas quando frios e os carburadores com afogador manual não davam a mistura correta durante a fase de partida a frio até estar aquecido o motor, fazendo com que a marcha fosse irregular e o carro falhasse bastante. Mas isto já foi há muito tempo. Desde a década de 80 para cá, os carburadores já tinham características mais aperfeiçoadas de mistura e regulagem, assim como afogadores mais eficientes, alguns até automáticos. A parte elétrica contava com bobinas mais potentes e circuitos de ignição eletrônica, fazendo com que a mistura se inflamasse com mais eficiência. Hoje com os carros injetados, basta dar na partida sem pisar no acelerador, esperar ter pressão de óleo suficiente no motor (apagar a luz vermelha do óleo) e sair devagar. O próprio movimento do carro faz com que em duas quadras se atinja a temperatura normal de funcionamento, mais rapidamente do que se deixarmos o motor em marcha lenta se aquecendo. Hoje os pistões e anéis têm folgas muito menores e já fornecem a vedação necessária para a compressão desde frios. Este procedimento errado de manter o carro parado se aquecendo só serve para gastar mais combustível, poluir o ar (pois a marcha lenta é mais rica do que a mistura de cruzeiro) e acordar os vizinhos de manhã.
Outro costume totalmente errado é o de aguardar o sinal verde com o pé na embreagem. Além de inseguro, pois pode acontecer um acidente do pé escorregar do pedal ou da pessoa se distrair ou se assustar e tirar o pé de repente, com a marcha engatada e causar um sério acidente, ainda faz mal ao carro e, consequentemente, ao bolso. O sistema de embreagem, ao ser desconectado pela ação do pedal, fica apoiado em um rolamento de encosto pelo tempo que o pedal for pressionado. Como este sistema não foi previsto para ficar acionado durante longos períodos e sim, pelos curtos períodos de trocas de marcha, este rolamento fica sobrecarregado e se gasta mais cedo, fazendo um ronco característico e necessitando de troca. E não é nada barata a mão de obra...
Existem muitas outras manias como a de trocar óleo sem precisar, apenas por indicação e influência de um frentista; não esticar adequadamente as marchas, trocando-as muito cedo e antes do motor atingir a rotação e torque adequados, dentre outras. Mas são todos erros bobos que revertem em prejuízo para o próprio dono apenas. Existem outras manias que além de irritar os outros, são perigosas e até ilegais, como a mania de alguns motoristas de dirigirem devagar pela esquerda, só por que vão virar daqui a 18 quadras; ou daqueles que dirigem no meio da rua, nunca olham pelo retrovisor e se esquecem que tem mais gente na rua além deles; tem os que levam mais de 10 segundos para reagir à mudança de farol e ficam lá parados, atrapalhando a todos; sem contar aqueles que pensam que estão dirigindo caminhões e abrem o raio de curva de uma simples esquina, invadindo a faixa dos outros, e por aí vai... Seja por falta de conhecimento, de noção de espaço ou até mesmo de educação, muitas destas manias tornam nosso ar menos respirável, as ruas intransitáveis e a nossa paciência...! A paz no trânsito depende da conscientização de que não estamos sós nas ruas e o respeito às leis e aos outros.
____________________
Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).
* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.