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Eu tenho um sonho...


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A frase cunhada acima parece tão simples, mas moveram uma nação! Trata-se de uma frase proferida no início (e repetida algumas vezes) em um discurso de Martin Luther King durante a marcha pelos direitos civis em Washington, em agosto de 1963. Mas e nós, com o que sonhamos? Enquanto bauruenses, o que sonhamos para a nossa cidade? Enquanto brasileiros, o que almejamos para a nossa nação? Enquanto pais e mães, o que buscamos para nossos filhos? Enquanto jovens, o que pensamos do futuro? Provavelmente muitas coisas! Mas e o que efetivamente realizamos?

Já dizia uma famosa canção “sonhar não custa nada”... É, sonhar é uma das poucas coisas gratuitas que temos nos dias de hoje! Porém, realizar nossos sonhos custa bastante! E não só em termos financeiros, mas também em dedicação, esforço, desilusões e, muitas vezes, desânimo. Max Weber afirmou que “uma sociedade que não tem sonhos nem utopia se afunda no lodo dos interesses, e sucumbe”. Mas será que podemos sonhar com o fim (ou pelos menos com uma diminuição drástica) da violência? E quanto às oportunidades, será que podemos sonhar com uma sociedade repleta de oportunidades e sem inveja e mesquinharia? E quando à consciência humanista, será que é possível imaginar uma sociedade repleta de respeito, ética e sentimento de confiança? E quanto ao desenvolvimento, será possível sonhar com uma sociedade desenvolvida de maneira sustentável, onde prevaleçam os interesses coletivos e não os individuais? Parece difícil, mas se não acreditarmos que seja possível, estaremos em um caminho complicado para a raça humana! É necessário que sonhemos sim! Mas não devemos nos ater apenas a idéias e divagações, é necessário agir! Como? Cobrando nossos representantes! Defendendo nossos direitos! Respeitando-nos uns aos outros! Acabando com a corrupção dos menores até os mais altos níveis! Trabalhando! Produzindo! Sendo solidários!

Desta forma, poderemos parar de dar razão a Diderot que afirmou “nada é tão dificilmente perdoado quanto o talento”, sendo muito mais cômodo acusar outras pessoas (para se escusar de determinadas situações), refutar idéias (ou roubá-las e tomá-las como suas), desanimar pessoas (pela inveja de não ter a capacidade de agir de maneira semelhante), a efetivamente realizar! Na mesma linha, Viviane Mosé salienta que “tratamos mal os que lançam, se arriscam... somos uma sociedade de impotentes, deprimidos”. Podemos e devemos mudar essa visão de mundo! Como já pregava São Francisco de Assis “comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, você estará fazendo o impossível”.

Pense nisso!

O autor, Ricardo Henrique Alves da Silva, é cirurgião-dentista, professor universitário e consultor em saúde - e-mail: ricardohenrique@usp.br

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