Tribuna do Leitor

Para o governador Serra ler de pijama (se tiver tempo)


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A estorinha começa assim: “Era uma vez, uma velhinha de oitenta e nove anos. Igual a sua vovozinha, com certeza, meu caro governador dos paulistas. Essa velhinha quando jovem casou-se com o também jovem esposo e juntos viveram décadas e décadas de união respeitosa, até o dia em que o jovem e agora também velhinho morreu, deixando a velhinha viúva há seis longos anos. Por causa do óbito do velhinho, a velhinha passou a ser pensionista do “lobo-mau” conhecido por Ipesp. Agora, esse “lobo-mau”, sem intenção de matá-la de susto, porém quase o fazendo, resolveu fazer o recadastramento das suas viúvas.

A velhinha, e já às portas da nonagésima primavera, assustada por estar com seus minguados caraminguás bloqueados, que por pequeno que seja até hoje lhe deram sobrevida, apresentou ao representante oficial do “lobo-mau”, um tal de Nossa Caixa, o documento supostamente de fé pública como diria Rui (“é o que, em boa fé, se deveria supor”), vulgarmente conhecido como Certidão de Casamento, onde consta averbado o óbito do amado velhinho. Nada feito. O lídimo representante do “lobo-mau” disse à velhinha: o “lobo-mau” apelidado de Ipesp não aceita o documento de fé pública, porque esse documento também é velho... Tem que ser esse mesmo documento velho só que novo! Tá me entendendo, Serra? A quase nonagenária, não teve alternativa. Dirigiu-se ao Terminal Rodoviário, a pé, com suas perninhas finas e cansadas, corpo alquebrado, porém brioso, pegou um intermunicipal para a cidade onde há quase oitenta anos atrás havia se esposado com seu inesquecível velhinho.

Lá chegando, dirigiu-se ao Cartório, onde mereceu da oficiala local o respeito e a dignidade de um tratamento atencioso e preferencial, recebendo o velho documento novo, rejuvenescido tão somente com a mudança da data de confecção. No dia seguinte, ainda exausta da longa e descabida jornada, cumpriu a exigência do “lobo-mau”, vulgo Ipesp.

É isso aí, caro mooquense e governador dos paulistas. Eis uma estória que tem tudo para se transformar em História. Se desejar eu posso prová-la verdadeira. Certamente alegará o óbvio para evitar eventual convocação, já que o arrazoado é a história verdadeira, como verdadeira é a minha assertiva em afirmar que acabaste de perder o meu voto. Seja quando for!!!

Nicanor Amaro Silva Neto

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