Economia & Negócios

Bancos emprestam R$ 1,27 bi a Bauru

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O bauruense está aproveitando as facilidades de aquisição de crédito oferecidas, principalmente, pelas instituições bancárias. Prova dessa tendência é o volume de dinheiro que os bancos emprestaram para clientes do município no ano passado. Segundo dados do Banco Central (BC), as concessões de crédito para consumo e investimentos somaram R$ 1,27 bilhão entre todas as agências da cidade. O valor significa metade do Produto Interno Bruto (PIB) de Bauru, que é de R$ 2,5 bilhões.

O BC não forneceu números comparativos de anos anteriores, mas na opinião de especialistas financeiros, o volume de empréstimo é preocupante. O economista e professor Mauro Fernando Gallo interpreta os números como uma representação da vulnerabilidade da economia bauruense.

“É a prova de que 50% da economia de Bauru está baseada no crédito, o que é muito grave. Numa eventual diminuição da concessão desses empréstimos, a economia do município será fortemente abalada”, analisa.

Para o consultor financeiro Reinaldo César Cafeo, essa situação é gerada pela necessidade que o bauruense está tendo de utilizar o crédito bancário para complementar a renda.

“É clara a demonstração de que boa parte da população (de Bauru) está endividada e, com o crescimento da oferta de crédito, notadamente o consignado, muitos passaram a se socorrer do sistema bancário”, constata.

Cafeo também entende que as instituições financeiras banalizaram os planos de financiamento para alcançar mais clientes, o que tem favorecido muito a procura pelo recurso.

“Passaram a tratar o dinheiro como um produto qualquer. Isso levou a uma indução muito grande de aquisição de crédito”, completa.

Foi por conta dessas facilidades apontadas pelo consultor que a secretária Ellen Rocha, 24 anos, emprestou R$ 1 mil de um banco privado para saldar dívidas. Ela parcelou o valor em 36 meses e terminou de liquidá-lo em janeiro deste ano.

“Como eu estava precisando quitar algumas pendências atrasadas, acho que o empréstimo valeu a pena. Não tive dificuldade alguma para consegui-lo. O procedimento de requisição não foi nada burocrático”, comenta.

Rocha optou pelo crédito consignado, ou seja, com desconto em folha de pagamento. “Consegui uma taxa de juros baixa, se comparada com as demais praticadas no mercado. Apesar disso, foi um peso pagar todo mês, mas por outro lado, quitei minhas dívidas”, desabafa.

Ter uma economia fortemente sustentada por créditos de bancos, como a de Bauru, significa um risco muito grande para os setores que dependem diretamente do consumidor final, conforme avalia o economista Mauro Gallo. O comércio e a indústria - duas das principais atividades econômicas da cidade - seriam os segmentos mais vulneráveis, segundo ele, aos impactos negativos que poderiam ocorrer com uma eventual redução na concessão desses créditos.

“O PIB de Bauru é dado, basicamente, pelo crescimento do comércio e desenvolvimento da indústria”, acrescenta Gallo.

O economista, no entanto, admite que a concessão de créditos também é importante para o crescimento da economia, já que faz girar dinheiro no município. O problema, acredita ele, é a aquisição desmedida por parte dos tomadores do empréstimo. “Em geral, ninguém analisa o custo do crédito. Poucas pessoas percebem que boa parte da renda acaba sendo consumida pelo pagamento de juros”, ressalta.

Gallo defende que o ideal para a sustentabilidade e equilíbrio da economia do município seria a melhora da renda do trabalhador, o que resultaria em volumes menores de créditos. Para ele, essa conjuntura deve se formar a longo prazo, já que depende de mudanças em âmbito nacional.

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‘Reincidência’

A cabeleireira Sandra Maria de Oliveira, 42 anos, chegou a fazer três empréstimos bancários, de uma só vez, na tentativa de liquidar as dívidas e equilibrar as finanças pessoais. Ela tomou um crédito de R$ 1.800,00, outro de R$ 1 mil e, mais recentemente, de R$ 700,00.

“Apesar de ter sido crédito consignado, ficou pesado para pagar. Consegui me livrar das contas, mas os juros encareceram muito o valor. Na hora, eu só queria resolver as pendências financeiras e não levei em consideração o limite do meu orçamento”, comenta.

Atualmente, Oliveira ainda paga um dos empréstimos, com mensalidades no valor de R$ 115,00.

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